COLETÂNEA
"UNIVERSO EM VERSO"

O
MUNDO INTERIOR
Sempre
teremos alguém a nos lembrar
E
a constranger-nos com as coisas do mundo
Impedimentos,
preconceitos, padrões morais...
Tanta
coisa complexa e difícil de cumprir
Onde
se chegar através disso?
Qualquer
um viverá um eterno dilema
Percorrendo
esses caminhos
São
mitos criados dentro da mente
Que
restringem e ajustam nossos passos
Qualquer
mente grosseiramente sensível
Não
poderá cumprir tais desígnios
Sem correr o risco de cristalizar-se.
A verdade não é uma boa conselheira
Para
as coisas desse mundo
Ela
não apóia essas incongruências
Porque
na medida que o faz, aprisiona a alma
Se
a alma seguir por essa trilha
Ela deixa de ser do mundo!
Caso
persistamos em navegar por essa seara
Estaremos
presentes no mundo
Mas
não seremos dele
Isso
cria o dilema da opção
E
nos coloca à frente do destino
Para
que o discernimento amadureça
Não
somos bons nem maus
Somos
o que somos e a vida assim o é
Consideremos
tudo com realismo e verdade
Como
processos que se combinam
Sem
falsos moralismos, sem pudores!
Aí
está o próximo passo
A
ser dado pela personalidade,
Que
se instala ao lado da nossa alma
Verdade?
Que verdade?
Deverá
ser a sua, própria, sem mitos
Assim,
as pessoas poderão compreendê-la
No
âmago de seus princípios
Desde
que se iniciou nesse caminho
Você
terá que optar por dois deles
Abandonar
seus lindos sonhos
Ou
conviver com o conceito da loucura
Agarrando-se
a causa desses sonhos
Conflito?
Que cruel conflito!
Mas
o que é esse jorrar de instantes
Se
não momentos de encontros de almas?
Que
é isso, se não a mágica da verdade?
Não
mate seus sonhos e nem os cristalize
Eles
são a seiva de seus pensamentos
E precisam de seu alento!
Viva
intensamente seu momento
Ele
é único e neste momento
O
que acabou de ler, já passou...
Pense nisso!
SER MORAL
A moral que o ser segura
É a mesma que segura o Ser
Há fantasmas que se reviver
Há uma porta mais escura.
Na solidão gelada e infinita
Que habita nossa profundeza
Ruge absoluta em sua grandeza
Um leão temido pela desdita.
Eis, que retumbarão triunfantes
Forças maiores e exuberantes
Que secretas foram esquecidas...
E daí emergirão as causas esclarecidas
Que, sob jugo, tolheram nossas vidas...
Virão das trevas esses brilhantes!
ABSURDOS LIMITES
Dentre todos os absurdos
Que me revolve a alma
E desafiam minha calma
Estão meus silêncios surdos
Não vejo meus horizontes
Nem os limites desse evento
Sinto apenas o roçar do vento
E o orvalho de mil fontes
Sinto a presença do porque
Do como e do quando
Sinto a ausência de você!
Nessa incógnita do pranto
Não há resposta que se dê
Mas há verdade nesse canto
ALTURAS
Você
que sempre sonhou
Com
realizações e coisas grandiosas
E
imaginava e imaginava
Agora
muda um pouco seu norteador
Para
as coisas menores do cotidiano
Saiba
que ambas as coisas são necessárias
Tudo
é questão de priorizá-las
São
questões circunstanciais
Seus
ideais sempre estarão em jogo
E
com eles os conflitos e dificuldades
Mas
o mundo impõe isso a você
Para que você não os realize.
Ter
boa vontade nem sempre é tudo
Há
que ter firmeza e determinação
E
ser sempre o elo de sua corrente
Verdadeiramente
um elo forte.
Reveja
sua visão distorcida do mundo
“Mutatis
mutandi” essa é a chave
Mude
suas opiniões sobre as pessoas
E
também sobre o que acontece à volta
Esse
é um passo grandioso
Para
libertar sua alma milenar
Daquele
peso que você já conhece
Atreva-se
a gritar e a quebrar algemas
Cada
vez que prosseguir em seus passos
Na
direção de satisfazer seus desejos
O
seu medo será maior
E
nunca um bom conselheiro
Ao
escolher seu caminho não ouça o medo
Ele
jamais será seu mestre.
Será
apenas um companheiro.
Aqueles que ousam desafiá-lo
Impondo
e demonstrando medos
É
porque temem sua força
E
isso é facilmente compreendido
Pergunte
a si mesmo
Que
razão teriam para se desgastarem
Com
esse tipo de enfrentamento
Senão
a do próprio medo que sentem
Toda
a criatividade que permeia sua alma
E
essa excessiva imaginação fértil
Disponível
aos borbotões
Desequilibram
e às vezes se contradizem
E
lhe tolhem algo no seu âmago
Mas
em última análise é divina
Mas
também é uma divina loucura
E
é também absoluta
E absolutamente necessária!
