Poesias ao Vento

(poesias publicadas n jornal "Tribuna de Itapira desde 2007)

 

Temporais e Calmaria

 

O desespero chegou a cansar lembranças,

Os temporais sangraram os pensamentos.

Na ida o retorno se ocupava dos momentos.

Era a prisão que sustentavam as distâncias

 

No retorno, o temor da ida era redemoinho

Que girava nos tormentos do horizonte,

Qual procela que dilacerava minha fronte

E amargurava as cantigas de meu caminho.

 

Quando do encontro, entre vastas fantasias.

Sentia-me compensado e totalmente liberto

E meu sonho já então serenava em calmaria

 

Ah, doce plenitude, loucura de estar perto!

Insanidade festiva de carnaval e alegoria

Você está presente em meu sono já desperto!

 

 

 

   SENTIDOS

 

Os sonhos e as canções coloridas

São imagens efêmeras de momentos

São plágios da realidade virtual.

Nossas artimanhas para preservá-los

São quimeras já consumidas.

 

Nem sempre o que vemos e sentimos

São das verdades as mais verdadeiras.

Estamos apenas tateando nas sombras

As veleidades de nossos destinos

E as quietudes de nossos desatinos.

 

Mas o que de maior nos assombra

É estarmos sós quando acompanhados

E todos emparedados na solidão

Dai-me a vida por segundos

O trovador de todas as provas!

 

Dai-me das maviosas cores

O semblante dos sentidos!

Para que eu aconteça mesmo morto

Na plenitude do arco-íris

E serei dos filhos o menor em dores

 

Ritmos Antípodas

 

Estou atrasando meu passo,

Para ficar no ritmo da espera;

Vou contendo minha fera,

Porque vale a pena cada abraço.

 

Sou parte da quietude vagarosa,

Mas a cada dia que passa

Aprendo no vôo dessa graça,

A ir regando a nossa rosa.

 

Não me censure pela pressa

Nem pela maneira que lhe amo,

Nada mais do que isso interessa.

 

Amo você sem qualquer engano,

Nada há quem assim me impeça

Nem aqui ou em outro plano.

 

 

RITMO DOS PASSOS

 

Não posso ainda antever o meu futuro,

Nem mesmo projetar sombras no passado.

Meu presente não ignora esses conflitos,

Mas também não condena o passo dado.

 

Sei apenas o que sei e não divago,

Talvez seja uma falha ou só cansaço,

No entanto posso antever meus limites

E ousar nessa estrada com meu passo.

 

Saibas ó tu que me ouves e me encanta!

Que das raízes e dos troncos somos uno

E que dos amores e das canções,

Somos a estrada que guia o rumo!

 

PRISÃO GRÁFICA

 

  Em que ponto poderemos estar

No meio dos traços?

Em que apertados braços

Poderemos nos interrogar?

 

Admiramos a essência

De nós mesmos  - a consciência.

E na prisão de parênteses

Buscamos as chaves dos êxtases

 

Em quais graus e sublinhas

Seremos o mais e o menos?

Seremos aspas e asteriscos

Barradas pelos travessões?

 

Somos ângulos apostrofados

Que de tão disformes

São quase enormes

E insignes apostolados?

 

Em qual das cedilhas

Estaremos acima?

E do alfa e ômega

Seremos apenas beta e sigma?

 

Seremos da vida a sorte

Que se redime pela morte?

Ou apenas o que nos destina

O vocábulo no fim da sina?

 

PRESENÇA AUSENTE

 

Onde está a presença?

Desapareceu no ruído das horas?

Consumiu-se na ausência

E entristeceu o meu momento?

 

Cálidas manhãs de chuva,

Romperam no horizonte

E tingiram de bruma o passado

E embaçaram minhas alegrias

 

Onde está a ausência?

Reapareceu na angústia de quem fica

Fez morada na alma entristecida

E amordaçou meus sentimentos

 

Pérfidas canções enevoadas

Tangeram rituais inebriantes

E regeram as estrelas

Todo o céu e o firmamento!

 


 

POETA

 

Eis que se levanta o poeta

A mil bocas...Vozes canoras

Suave brisa ao cair das horas

Mansamente, qual profeta.

 

 

PASSO LÁ, PASSO CÁ

 

Estamos caminhando

Pela estrada da imensidão

Nossos horizontes

Parecem distantes

E nossos passos começam a cansar

 

Não se tem para onde ir

Essa estrada é longa demais

Cada vez que o vento

Açoita nosso rosto

Espreitamos mais nosso fim

 

Que fundamento se esconde

Nesse mistério de areias?

Que águas fluem

Desses esconderijos?

 

Porque nos magoar essa inquietude

Com calibrosas intempéries,

Se somos todos seres vivos

E somos feitos de um só DNA?

 

O que se esconde nesses parágrafos

De cores cinzentas e desesperança

Para poder julgar nosso arbítrio

Somos livres ou escravos?

 

 

NUMERAL DO TEMPO

 

Eram dois, eram quatro

Eram todos pares

E todos os azares

Esperavam de lado

 

Era um, eram três

Eram todos díspares

E de todos os reis

Todos eram avatares

 

Assim nessas abcissas

Muitos sortilégios

Entoavam suas missas

Eram todos puros e régios

 

Somos assim singulares

E todas nossas almas

São unas e regulares

De harmonias e de calmas.

 

Somos vértices e volutas

Nessas rodas circulares

Somos espirais devolutas

No espaço-tempo dos ares

 

 

MOMENTOS DA ALMA

 

Esse olhar tão puro que me cativa

Essa alma que veio do nada e me ama

Tão doce é essa dor que se derrama

E mantém a minha chama assim tão viva

 

Sei também que de todas as plenitudes,

Onde se esconde o vicejo de tanto amor

Vive também o prazer desse glamour.

São os sabores de nossas inquietudes.

 

Ainda me delicio com o encantamento

De você me confortando no presente

E eu voando pelos arredores do momento

 

Percorremos mil distâncias eternamente

E mil passos outrora em distante tempo

E retornamos nos procurando loucamente

 

 

MOMENTO DO TEMPO

 

Sem tempo para ter tempo

Consumimos nossos momentos

Em atordoadas cabeçadas

Somos o que pensamos

E produzimos nossas miragens

Quebramos nossos tabus

E adornamos as nossas mentes

 

Sem tempo para matar o tempo

Vamos esvaindo-nos em marasmos

Nossos conflitos amanhecem

Com nossos pensamentos

E sonham com descanso e paz

Porém açoitamos nossos corpos

Com saraivadas de mazelas

 

Sem tempo, para pensar

Que somos o nosso futuro

E que todo o nosso tormento

Vira desconforto e ferimento

Caminhamos pelos queixumes

Sem serenar o nosso lume

Até vislumbrar nossas penas

 

Sem tempo, sem espaço

Transformamos a magia de ser

Em centilhões de prazeres

E misturamos nossos afazeres

Com to o nosso saber

Apenas não conseguimos antever

o momento do nosso tempo.

 

 

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