IGREJA EVANGÉLICA PRESBITERIANA

(da Europa a Itapira)

 

Igreja Presbiteriana de Itapira

          

Templo da Igreja Presbiteriana - exterior e interior - em foto de 1935

A História de Fato – Poucos itapirense sabem que a Igreja Evangélica Presbiteriana em nossa cidade, situada a rua Campos Salles, 93 (antigo número 16-A), logo ali abaixo do Parque Juca Mulato, tem uma história cuja organização remonta há 125 anos.

Desde 1864 já havia aqui em nosso município algumas famílias que se organizaram em forma de crença evangélica, seguindo os moldes preconizados pelos seus fundadores na Europa.Eram pessoas sérias e de ilibado caráter e cunho cristão.É o caso do sr. Jacob Bologna, Conrado Wiesmann, Felipe Fray, Antonio Ferreira Garcia e d. Isabel Mayate.Dissidentes europeus ou ramos divergentes da Igreja Católica Apostólica Romana, os presbiterianos de hoje eram chamados protestantes na época do grande cisma que dicotomizou as crenças cristãs por protestarem contra alguns preceitos daquela época.A Reforma foi um movimento religioso que no século XVI afastou de Roma parte da Europa e deu origem às Igrejas protestantes. Martinho Lutero, reformador alemão (1483-1546), difundiu as bases de sua obra religiosa para além da Alemanha.Com Zwingli e Bucer.Zurique e Estrasburgo tornaram-se pólos importantes para a difusão das novas idéias.Foi assim que também surgiu o presbiterianismo preconizado por Calvin (1509-1564) reformador francês que dá o governo da Igreja a um corpo misto de pastores e leigos. O termo presbiteriano refere-se a um modelo de administração eclesiástica.Presbítero é a palavra do Novo Testamento para ancião (o que assistia ao Bispo).Todas as congregações presbiterianas são governadas por conselhos (sessões ou consistórios), compostos de um ministro e de presbíteros leigos. As sessões enviam representantes aos concílios da Igreja, (presbíteros ou classes), que supervisionam as congregações do distrito.Os presbitérios por sua vez são representados em sínodos ou assembléias regionais.O sistema de governo representativo opera em todos os níveis da hierarquia, com presbíteros leigos participando igualmente com os ministros.Todos os ministros tem o mesmo nível na hierarquia da Igreja.

A tradição presbiteriana sempre se referiu à Bíblia como autoridade final em questões religiosas. As Igrejas, no entanto, produziram uma série de declarações oficiais onde expressão sua compreensão da verdade bíblica.Desses documentos básico da teologia reformada, os dois mais respeitados foram “O Catecismo de Heindelberg (1563) e o Catecismo Reduzido de Westminster (1647)”. O primeiro é mais difundido na Europa e o segundo é mais popular nos países de língua inglesa. “ A Confissão” de 1967 dos presbiterianos norte-americanos é outra declaração oficial.

 

Igreja Presbiteriana no Brasil.

            

1 - Foto de Ashbel Green Simoton foi o fundador da Igreja Presbiteriana no Brasil (Rio de Janeiro)

2 - Diário do Rev. Ashbel Simonton foi escrito em julho de 1959 por Maria Amélia Rizzo.

No Brasil a Igreja Presbiteriana teve início em 13 de agosto de 1859, quando Ashbel Green Simonton desembarcou e se estabeleceu na Guanabara, iniciando ao ministério missionário que duraria oito anos.Casou-se com Helen Murdoch em 19 de março de 1863, trazendo-a para o Brasil.Sua esposa faleceria nove dias após.O nascimento de sua filha Helen que nascera em 19 de junho de 1864.Simonton exerceu suas atividades de missionário de uma forma e seqüência vertiginosa, em 125 de outubro de 1864 funda a “Imprensa Evangélica” o primeiro jornal protestante do Brasil.Em março de 1865 fez uma viagem missionária pelo interior do Brasil.Em dezembro de 1865 inaugura o Presbitério do Rio de Janeiro e, em 1867, último ano de sua vida, foi o mais produtivo.Alugou um prédio na Praça da República número 39, no Rio de Janeiro e “alojou de forma embrionária as bases magníficas de uma evangelismo habilmente planejado. Ali nesse prédio funcionou a “Igreja”, onde eram celebrados os cultos: o Hall do fundo pertencia à escola primária.Entre um e outro cômodo havia uma sala que servia de depósito de livros, folhetos e jornais.No segundo andar funcionava o “Seminário” – onde residiam os estudantes e realizavam-se as aulas.No terceiro andar morava um dos colaboradores da “Imprensa”, cuja esposa acumulava os cargos de diretora da escola primária e organista da Igreja.

Neste prédio do Rio de Janeiro na Praça da República, nº 39 funcionou a primeira

 Igreja Presbiteriana fundada por Ashbel Simonton em 13 de Agosto de 1859.

Ainda em 1867 iniciaram-se planos para o levantamento de fundos destinado à construção de uma capela no Rio.Em 1867 inaugurou-se o Seminário e a Escola Primária.

Simonton faleceu em 09 de dezembro de 1867 com apenas 34 anos de idade em São Paulo, de febre amarela.Deixou um diário cujo onteúdo revela os seus anseios, emoções, sentimentos, fatos ligados à família e amigos e principalmente sobre suas viagens e sua vida religiosa e presbiteriana.O diário do Ver. Ashbel Simonton está contido no livro “Simonton Inspirações De Uma Existência”, escrito por Maria Amélia Rizzo e foi escrito em julho de 1959 em comemoração ao centenário da chegada de Simonton no Brasil.

Os primeiros cultos foram celebrados por Simonton em águas brasileiras, mas no interior do navio “John Adams”, que o trouxe.Somente em 20 de setembro e depois em 03 de outubro de 1859 é que iniciou suas predicas no Brasil no Bairro da Saúde, no Rio de Janeiro.Sua filha Helen faleceu em Baltimore, Maryland nos Estados Unidos, a 27 de janeiro de 1952, com 88 anos.

O “Diário de Simonton”, é portanto um relato comovente onde ele reflete toda a pureza de sua alma eivadas de compreensão por todos os conflitos que passou para atingir seus objetivos cristãos.Assim , aceitou com estoicismo todas as provas a que foi submetido, tendo-as como desígnios do Senhor Deus.

Chamou-se a atenção um relato feito por Simonton à página de número 105 de suas memórias, onde no dia 01 de julho de 1864, refere-se a ele dessa maneira: “Estou acabando de voltar de um passeio com Chamberlain...” Seria esse Chamberlain referido por Simonton, o George Chambelain, primeiro missionário que veio a Itapira por volta de 1872 ministrar aqui as primeiras predicas? É bem provável que sim.Retomando a linha histórica vemos que naqueles turbulentos tempos do século XVI, muitas foram as divergências e dissensões que marcaram os rumos políticos-religiosos que os séculos vindouros iriam tomar.Dessa maneira as igrejas tomavam caminhos baseados na composição filosófica de grandes pensadores e iluminados, confrontando às vezes, com outros níveis de entendimento, o que acabava gerando atritos no campo das idéias. Aos poucos a conscientização das verdades reveladas foram introduzindo os anseios dos irmãos evangélicos, o que acabou se constituindo na grande unidade cristã que hoje representam.Hoje podemos observar a existência de muitas denominações para as suas igrejas, no entanto, todas seguem os mesmos preceito bíblicos, havendo distinção apenas na racionalização administrativa., sendo a sua Bíblia comum a todos os seguidores.Temos observado que existe desde há muito tempo, uma grande movimentação e um dinamismo intenso dos evangélicos por todo o nosso país.Praticamente todos os seus seguidores são dotados de uma fé inquebrantável, que os impulsionam feliz, enérgica e incansavelmente rumo aos mais nobres ideais cristãos. Suas bases cristãs estão rigorosamente estruturadas na aceitação de “Jesus Cristo vivo, como único e eterno Salvador, sem necessidade de intermediários. E a conversão se dá através da Fé que é o dom de Deus”.

Os exemplos que se sucedem principalmente quando observamos que as outras igrejas: “A Assembléia de Deus” do pastor João Orcini, com seus 40 anos de existência, as Igrejas Batistas, as Adventistas e outras, emolduram-se como ferrenhos seguidores dos ensinamentos de Cristo, procurando levar através de sua motivação sempre crescente a palavra de esperança e a salvação pela Fé no Cristo Vivo.

Deixando de lado s querelas político-administrativas e religiosas, daqueles idos do século XVI, o fato é que aportaram aqui em nossa cidade pessoas de um valor relevante com um alto grau de cultura e sentimentos humanitários-religiosos, cuja conduta exemplar deu início por essas bandas a uma grande e única família evangélica, acima de tudo cristã

A História Oficial

  A história Oficial da Igreja Presbiteriana começa a se evidenciar mesmo, em 10 de janeiro de 1876, quando seus membros solicitaram à Câmara Municipal daquela época a designação de terreno para a criação de um cemitério proprio para os seguidores dessa crença. A Câmara declarou só poder resolver quando o sr. Com. João Batista de Araújo Cintra doador dos terrenos da necrópole, efetivasse tal doação.Logo após em 04 de maio (conf.ata de 09 de abril daquele ano), o Com.Cintra satisfez os desejos dos edis e estes designaram terreno para a finalidade proposta anexo ao cemitério municipal.

Pioneiros e Genealogia  

João Conrado Wiesmann co-fundador da Igr.Presbiteriana e sua esposa Amélia Bolliger

Um dos pioneiros da Igreja Evangélica Presbiteriana em nossa cidade podemos assim considerar foi o sr. João Conrado Wiesmann, homem de fibra e de fortes princípios cristãos.Conrado Wiesmann (como era chamado), nasceu em Zurich (suíça) em 1838 e faleceu em Itapira em 1896.Era filho de Henrique Wiesmann e Suzana Hagen. Foi casado com d. Amélia Bolliger e tiveram os seguintes filhos: Maria que foi casada em segundas núpcias com o Ver. João Vieira Bizarro; Isabel, que foi casada com Frederico Guilherme Wey; João Wiesmann Filho, nascido em 1878 e falecido em Itapira em 1957. João casou-se com Continentina Rodrigues da Silva e tiveram Valdemar (1910-1931)Mauro e Izaltina, (esta casada com o sr. Paulino Tellini; Júlio Conrado Wiesmann (1872-1956), que era ferreiro e serralheiro, casou-se com Maria José Cassiano e teve três filhos: Edith, casada com o sr. Rafael Bologna,(o Raé, pintor de paredes), Julio Conrado  Wiesmann Filho, solteiro e Ercy, casada com o sr. José Bruzasco.Tanto Israel quanto Edith podemos assim dizer, são netos dos fundadores Jacob Bologna e Conrado Wiesmann respectivamente.Nove são os irmãos de Israel, a saber: Clélia, Davi, Eugenia, Efraim, Odila, Teresa, Anésia, Jacob e Geny.Todos filhos do sr. Eugênio Bologna e de d. Maria Dolores Pestilli.

Eugenio Bologna, seu filho Davi e sua esposa Maria Dolores Pestilli

Carolina Wiesmann, também filha de João Conrado Wiesmann, foi casada com o pastor Manoel Alfredo Guimarães (Goiania, PE, 1869-Itapira 1943), e foram avós d Dra. Nilza Wiesmann Guimarães, falecida precocemente e conhecidíssima engenheira e arquiteta durante muito tempo da Prefeitura Municipal de Itapira, tendo executado muitos projetos de engenharia e arquitetura por toda a cidade.Carolina Wiesmann foi avó materna também dos médicos dr. Argemiro Lauretti e do dr. Roberto Ognibene, ORL, ambos fazendo parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Itapira. São ainda netos de João  Conrado, Augusto, Amélia e Ana.

João Conrado Filho era cego de nascimento, porém essa deficiência não lhe tirava o brilho da vida.Era de uma inteligência à toda prova e ensina matemática aos sobrinhos e parentes com uma facilidade inexplicável. A foto de Conrado Wiesmann e sua esposa Amélia Bolliger  foi cedida gentilmente por Izaltina Wiesmann, filha de João Conrado e talvez seja a única foto de João Conrado existente.Provavelmente foi tirada na Suíça e mostra d.Amélia grávida provavelmente do primeiro filho.

                          

1 - João ConradoWiesmann Filho (era cego).Tinha uma inteligência de causar inveja

2 - Júlio Conrado Wiesmann, irmão de João à esquerda

Quando Conrado Wiesmann faleceu, em 1896, Itapira perdeu um dos mais valorosos batalhadores cristãos que se tem notícia.Quem melhor pode revelar os traços biográficos desse vate da cristandade evangélica é o Rev.Álvaro Reis que em um artigo publicado em 19 de novembro de 1896 no jornal “O Puritano”, de São João da Boa Vista, assim se expressou quando recebeu a notícia do falecimento de Conrado.

Ao chegar em casa no dia 19 de novembro, depois de ter estado em São Simão, onde preguei o Santo Evangelho e onde tive a dita de receber à comunhão da Igreja Presbiteriana duas pessoas...deparei com um telegrama que simplesmente referia estas sentenças: “Venha, papai faleceu hoje.Itapira 14 de novembro de 1896.Repentinamente na realização santa do trabalho (e como era ele perseverante em obedecer a esse santo mandamento) caiu e dentro em pouco alava as asas cândidas da fé, e lavada no sangue do Cordeiro, transpunha do tempo para a eternidade, a alma daquele que se chamou Conrado Wiesmann!...Há trinta e tantos anos habitava em Itapira e aí, ninguém há que desconheça que Conrado Wiesmann era um homem verdadeiramente exemplar, era exemplarmente um homem de bem! Morei em Itapira dois anos, há nove anos que a visito regularmente e jamais ouvi uma só pessoa dizer a menor coisa contra esse homem! Isto é realmente admirável! Que caráter probo! Que pai exemplar! Que marido irrepreensível! Que homem honesto em seus negócios! Que caráter bom! Que modelo de presbítero e verdadeiro ancião era Conrado Wiesmann! A sociedade itapirense perdeu talvez, o cidadão de mais caráter e o mais esplendoroso modelo de constância no trabalho. Era suíço por nascimento, brasileiro e republicano de coração.Era a coluna da Igreja Presbiteriana de Itapira e presbítero desde o seu início.Sendo presbítero, ele era também diácono porque era ele que fazia ea escrituração da Igreja, zelava pelo culto, ele mesmo acendia os lampiões, abria a casa, sem nunca dizer uma palavra sequer! Oh! Que falta extraordinária não faz esse irmão! Inteligentíssimo, proferia verdadeiros sermões, perfeitamente bem construídos, perfeitamente bem desenvolvidos. Estudioso, todos os dias lia o “Diário de Campinas”, primeiramente, simpaticamente logo ao anoitecer: depois lia os jornais alemães, depois os livros em alemão ou português e finalmente a Bíblia, que era a coroa da leitura que todos os dias  das cinco e meia às seis e meia da tarde. Dedicava-se ao pesado ofício de ferreiro no qual era um distinto e verdadeiro mecânico. Os estudos prediletos de Conrado Wiesmann eram: História da Suíça, da Alemanha, Geografia, Matemática e a Santa Palavra de Deus.(A Bíblia).Quando se referia à história de sua pátria demorava-se repetindo todas as datas com precisão: os nomes dos generais que se salientavam nesta ou naquela batalha, os principais episódios, os contos populares: a descrição dos lugares em que se deram as mais célebres batalhas: a estratégia dos generais, as conspirações – tudo, tudo com precisão e como se fosse ele testemunha ocular de tudo. As guerras religiosas, de que foi teatro a Suíça.Oh! Como ele comoventemente as descrevia!...Como nessas narrações se manifestam os sentimentos cristãos de sua grande alma!... Ah! Parece que o estou vendo, sorrindo, afável, brilhando os seus olhares tão castos, onde retratavam as virtudes peregrinas de sua grande alma!...Ah! Que saudade! Que dor! Que dor inexprimível não curtem aqueles que tiveram a dita de ser amigos, admiradores, desse verdadeiro tipo de homem de bem, do amigo leal, sincero, verdadeiro! Ah! Quem pode imaginar a dor imensa dos corações de seus queridos, de sua esposa, de seus filhos ao beijar pela última vez o rosto frio, gélido, desse homem, desse pai, desse esposo, modelo em tudo!...Ah! Essa dor é tão grande como grande há de ser a alegria quando lá na eternidade, possuído de júbilo beatífico, em companhia dos redimidos, pudermos seus irmãos na fé, os seus filhos crentes, a sua esposa e irmã no Senhor abraça-lo de novo!...Por entre os tormentos da dor, esta é a consolação que nos concede o Evangelho: Conrado Wiesmann, o nosso irmão e amigo, não morreu, mas vive eternamente!Hoje, no reino da glória, salvo por Jesus, descansa dos seus trabalhos cercados de glória.Jubiloso, verdadeiramente feliz! Já teve a ventura de sentir suas lágrimas enxutas pela mão sacrossanta de Jesus!O! Hoje, resplandecente de glória, toma parte nos arcangélicos coros dos céus, louvando e bendizendo a Jesus! Oh! Ei-lo no céu, feliz, imaculadamente feliz! Segue-se um hino evangélico e as palavras finais do Rev. Álvaro Reis! Enquanto o amigo festivamente goza no céu, sua família e seus irmãos na fé choram saudosos a sua ausência, e a Igreja brasileira sente a falta de um presbítero que era um de seus mais ilustres ornamentos.

A todos,as minhas condolências, e que Deus pelo seu Espírito Santo nos console”, São João da Boa Vista, 19 de novembro de 1896.Ass.Álvaro Reis.

Essas palavras por si só traduzem tudo o que representou a grande personalidade de João Conrado Wiesmann no seio da sociedade evangélica e da própria sociedade itapirense.

Conrado Wiesmann figura com relevo entre os fundadores da Igreja Presbiteriana de Itapira.A História revela que naquela época já havia o casamento civil para os que não professavam a fé ou a religião do Império.Esses casamentos eram realizados em Campinas.O Imperador, D.Pedro II, por um princípio de justiça, deliberou baixar um decreto para que os casamentos dos não católicos fossem também celebrados no religioso, e assim a colônia alemã providenciou a vinda de um pastor Presbiteriano pra Itapira.Dessa maneira aportou o Rev.George Chamberlain, um pastor que realizou a primeira predica na casa de n[úmero 36 da Ruía do Comércio (hoje rua Francisco Glicério).Pouco tempo depois, vieram missionários norte-americanos, efetuando predicas regulares em uma casa na rua Boa Vista, no Cubatão.Foi nessa época que se organizou a Igreja .Com número limitado de irmãos.Um pouco mais tarde todos os cultos passaram a ser realizados num sobrado, que existiu na rua do Cubatão que pertencia ao sr. Jacob Bologna (avô do Israel já citado acima).O sr. Jacob Bologna, naquela época, j´pa era um ferrenho adepto do protestantismo, tendo ouvido as predicas do primeiro missionário chegado a Itapira – George Chamberlain. Podemos considera-lo juntamente com Margarida Khreball, Israel Khreball e Helena Mayato um dos primeiros membros arrolados para o início das atividades da Igreja Presbiteriana em nossa cidade e considera-lo como co-fundador.Em 1875 chegou em Itapira o Rev.Eduardo Lane, organizando-se a Igreja. Em 10 de janeiro do ano seguinte foram eleitos, ordenados e instalados nos respectivos cargos o sr. Antonio Ferreira Garcia, presbítero regente e Conrado Wiesmann, Foi nessa época que o sr. Antonio Rangel, membro da Igreja, doou um terreno sito a rua Com. João Cintra.Foi construído ali um salão que funcionou como Igreja, tendo os cultos sido ministrado até 1910 quando então foi inaugurado o templo atual.

As fotos ilustram este texto mostramm o bairro do Cubatão em 1910, com suas primeiras casas e o famoso morro do Macumbê.Bem no topo do morro na curva em “S”, da estrada pode se notar o sobrado, onde residia o sr. Jacob Bologna.O detalhe ampliado dessa foto revela um pouco melhor o local onde muitos cultos foram ministrados, antes da construção do atual templo.

Foto do bairro do Cubatão - Morro do Macumbê em 1910.

A última construção no alto da foto era o sobrado onde Jacob Bologna passou a realizar os cultos evangélicos presbiterianos

A primeira predica foi realizada na rua do Comércio, 36 (hoje Francisco Glicério) por George Chamberlain 

O sr. Jacob Bologna nasceu em Piemonti, na Itália , em 24 de julho de 1832 e faleceu em Itapira em 23 de junho de 1924.Foi casado com d.Teresa Ratz (1843-1912).Foi soldado garibaldino lutando pelas forças de Giuseppe Garibaldi em 1860, fazendo parte das famosas tropas voluntárias – os camisas vermelhas – pela unificação da Itália.Naturalizou-se brasileiro no dia 02 de outubro de 1888, após prestar juramento em sessão ordinária realizada nesse dia na Câmara Municipal, na presença dos srs. José Gomes de Alvarenga Cunha, vice presidente Bento José de Oliveira Rocha, secretário, dos srs.vereadores Francisco Otaviano de Vasconcellos Tavares, Manoel da Rocha Campos Porto, João Manoel Pereira de Oliveira e João Batista Rocha.A descendência de Jacob Bologna é extensa e dos seus doze filhos, alguns tiveram entroncamento com as famílias dos Pereira da Silva, através de d.Tereza Ratz Bologna (filha), que foi casada com Joaquim Inácio Pereira da Silva, filho de Camilo José Pereira da Silva, um dos fundadores do distrito de Barão Ataliba Nogueira (este neto de Manuel Pereira de Avelar (fundador de Itapira).Através, também de José Bologna, irmão de Teresa que foi casado com Helena Pereira da Silva, irmã de Joaquim Inácio, há continuidade genealógica dessas famílias.Outras ligações genealógicas , se deram através das famílias Rossetti, Mayato e Domingues de Oliveira (família do Com.Virgolino), cujas particularidades já foram objeto de matéria já publicada em outra parte deste site < www.sfreinobreza.com>.

 

Família Fray: sentados da esquerda para a direita: Maria, casada com Henrique Sholl; Margarida Khreball 

(esposa de Jacob Fray), Jacob Fray, Apolonia casada com Paulo Francisco Laurindo e Jorge Fray.

Em pé: Amélia casada com Olegário Teodoro Ferreira, Lisbeta casada com Luis Topan; 

Guilhermina casada com Alberto Ferreira Mayato e Idalina casada com Manuel Ferreira

Sobre o casarão do ser. Jacob Bologna, assim descreveu João Torrecillas (João do Norte), em uma de suas crônicas:...”Até o Jacob Bologna foi de roldão, uma vez que empatou uma nota na construção do sobrado lá quase no Macumbê, próximo do local onde seria a Estação da Estrada de Ferro Mogiana, cujos trilhos do ramal alcançara as terras da Penha do Rio do Peixe, no ano de 1882. E o que aconteceu então? A cidade cresceu pelo lado Oeste.O sobrado que seria transformado em belo hotel próximo à Estação redundou em prejuízo total.Logicamente a linha férrea teria que arrastar o progresso para as suas bandas, daí começar o declínio da encantadora rua que foi perdendo o esplendor; perdeu o nome primitivo para que se homenageasse um vulto da república, recém proclamada; viu seus grandes estabelecimentos comerciais mudarem de rua; isso por força das circunstâncias como já ficou frisado”

Dessa maneira Jacob pensando em ter algum lucro comercial, já que a estrada de ferro iria passar em frente ao seu sobrado, viu ruírem seus sonhos de riqueza e o hotel realmente não “emplacou”.Posteriormente a esse fato a rua em questão tomaria outra importância bem maior, porque o sobrado que seria hotel transformou-se por força das razões divinas, em um templo e o seu proprietário elevado como co-fundador da Igreja Evangélica Presbiteriana e um dos mais importantes cidadãos de nossa sociedade, motivo portanto, de nosso preito de gratidão, reconhecimento e homenagens.Não angariou lucros terrenos, mas sim dividendos no céu.

Reside hoje, bem provavelmente, num hotel cinco estrêlas.É particularmente interessante destacar a grande família evangélica que se originou dos três grandes troncos Khreball-Fray-(Mayato).Através das irmãs Suzana, Isabel e Margarida, permitiu-se ao longo das gerações que essas famílias se entrelaçassem em vários graus de parentesco e proximidade genealógica, cujas ligações foram se repetindo nas gerações posteriores.A partir de Suzana Khreball que foi casada com Joaquim Ferreira dos Santos (Mayato), encontramos seus filhos: Alberto que casou-se com d.Guilhermina, avó materna de entre outras: Ediveti (Mayato) Batista, que é casada com o sr. Irineu e este é filho de Benjamim Rodrigues e de Júlia Fray. Uma das filhas de d. Guilhermina – d.Zilpa casou-se com José Batista e são pais de Ediveti, de mais três filhas: Elisete, Elda e de Edyr.

Edyr (Mayato) Batista, irmã de Ediveti casou-se com David Rodrigues Pereira, irmão de Irineu. A numerosa família dos Pereira, hoje se constitui num importantíssimo pólo de atuação dentro da Igreja Presbiteriana de Itapira. É importante salientar que em conjunto com os seus irmãos de crença vem realizando e prestando com dinamismo e muita fé, inúmeros serviços, tanto na esfera material quanto na espiritual.São, podemos assim dizer, molas propulsoras da grande fé que os orienta rumo aos seus anseios maiores.  É interessante lembrar que o sobrenome (Mayato), ou Mayate, está entre parênteses quando fiz referência aos sr. Joaquim Ferreira dos Santos e em outros momentos textuais, tornou-se uma incorporação toponímica na família Ferreira dos Santos.Esse sobrenome foi incorporado, portanto ao nome da família.Dizem seus descendentes que quando aqui aportou o sr. Joaquim Ferreira dos Santos (o prmeiro de nome dessa família), este simpatizou-se com a palavra “Mayato”, escrita na porteira da fazenda onde iria se instalar. Seus filhos que nasceriam porteriormente levariam o nome de família, “Mayato” e que hoje constituem-se num patrimônio histórico dentro da sociedade evangélica. Eis aí, portanto, uma curiosidade: O topônimo (Mayate ou Mayato com “y” ou “i”) se perpetuou como nome familiar dessa tradicional família.

Outra filha de Suzana com Joaquim Ferreira dos Santos Mayato, foi Carlota que casou-se com João Alberto Soares de Campos, estes avós do Kalli, ex diretor do DECET na gestão do Totonho Munhoz.Catarina a irmã desta, casou-se com Felipe Fray e através de seu filho Martinho Fray, são bisavós da Mercedinha, da Rosinha, do Zito, da Dirce e do Josias Fray Filho.

João Ferreira Mayato, também irmão de Suzana, casou-se com Joana Leocádia Fontes e são avós maternos do sr. Alcides de Oliveira, o popular alemão, ex prefeito de Itapira, através de sua mãe d. Alcídia Mayato.Helena Mayato, irmã de Suzana faleceu solteira e figura entre os primeiros membros dessa igreja conforme referência acima. Numa das fotos que ilustram esta matéia podermos ver a grnde família Fray-Khreball que entroncndo-se com os Mayato e também com os Sholl, constituíram-se em importantíssimos ramos genealógicos.

Outras famílias de grande importância, além das já citadas, estão unidas pela fé em prol da grande missão que lhes foi confiada. São as famílias Altafini, Benacci, Bravo Nogueira, Bruzasco, Cardoso, Canivezzi, Pereira, Silva Brandão, Soares de Campos, Vieira de Campos e muitas outras que são assíduas nas atividades da Igreja e que valorizam o trabalho cristão em nossa sociedade.

Atividades da Igreja  

Membros da Comunidade Evangélica Presbiteriana (homens, mulheres, adolescentes e crianças). Foto de 1935

Desde a sua fundação e principalmente após a construção de seu tempo em 1910, a comunidade evangélica Presbiteriana vem realizando as seguintes atividades: (segue abaixo o relato de Ediveti Mayato Batista, cuja presteza foi de muita valia para esta matéria.

“Aos domingos, às 9 horas, culto de louvor e adoração a Deus e estudo da Bíblia Sagrada Dominical, com classes para todas as idades, desde os recém-nascidos até os de idade avançada. À noite há culto de louvor e adoração a Deus, com cânticos espirituais, leitura da Bíblia, exposição da Palavra e mensagem pelo Pastor ou dirigente qualificado para tal. Diversos conjuntos musicais e um Coral colaboram no Serviço de Adoração prestado a Deus.”

As terças feiras há grupos familiares de estudos bíblicos que se reúnem nas casas dos crentes, ocasião em que se busca Deus através de cânticos de louvor, leitura e estudo da Palavra de Deus e intercessão pelos irmãos através de orações e súplicas a Deus.

Às quartas-feiras há novamente reunião no templo para cânticos de hinos, orações e estudos da Palavra de Deus.

Às quintas e sextas-feiras o mesmo ofício religioso acontece na congregação do Jardim Raquel e na Vila Boa Esperança, respectivamente. Os sábados são destinados para reuniões dos sócios dos vários departamentos da Igreja, para suas reuniões plenárias, de confraternização e troca de experiências ou reuniões festivas englobando a Igreja toda. A Igreja mantém através desses departamentos, ativo congraçamento com as outras Igrejas do Presbitério de Campinas, seja para reuniões de serviço ou essencialmente de cunho espiritual ou ainda apenas festivas. Muitas vezes, é a própria Igreja de Itapira que sedia tais encontros. Tais departamentos são em número de cinco.

União de Crianças Presbiterianas (UCP), União Presbiteriana de Adolescentes (UPA), União da Mocidade Presbiteriana (UMPP), União dos Homens Presbiterianos (UHP) e Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF). Esses departamentos trabalham pela evangelização e na obra social. Na direção da Igreja, além do pastor, há um Conselho que cuida da parte espiritual, que é composto de nove presbíteros e presidido pelo pastor da Igreja.Existe também a junta Diaconal, que atua na área administrativa.

Os pastores da Igreja

A Igreja de Itapira esteve jurisdicionada ao Presbitério de Minas Geris, que é uma circunscrição eclesiástica compreendendo várias igrejas.Desde a criação da Igreja local até os dias de hoje os seguintes pastores ministraram seus ensinamentos: Rvdos. George Chamberlain, (primeiro missionário), George Mash Morton, Eduardo Lane (organizador da Igreja), John Boyle, Delfino dos Anjos Teixeira, Zacharias de Miranda, Álvaro Reis, Henrique Vogel, Flamínio Rordrigues, Antonio Lino da Costa, Alfredo Guimarães, Alfredo Jackson Porter, André Jensen, José Borges dos Santos, Miguel Rizzo Jor, Brasílio Braga de Oliveira, W.Thompson, Thomaz Porter, William Sin, Henrique Maurer Jor, Miguel Torres, Erasmo Braga, Julio C. Ribeiro, Alva Hardie, Samuel Gammon, Herculano de Gouveia, Francisco de Souza, Vicente Themudo, Palmiro Ruggieri, Benedito Alves da Silva,, Norivaldo Nicacio, Theodomiro Emerique, J.W. Dabney, Ernesto Alves Filho, Paulo Villon (faleceu no pastorato) e foi substituído pelo pastor Américo Justiniano Ribeiro, Neftali Vieira Júnior, João Francisco Correia, Nathanael Almeida Leitão, Ademar de Oliveira Godoy, Celso Costa Soares da Silva, Osvaldo Soares de Campos (filho da Igreja), Naor Vilas Boas, Osvaldo Abraham Chamorro Vergara, Mac.João de Paula, Naor Vilas Boas (segunda vez) e o atual (1997) Edson Elias de Oliveira.

Filiais e Sedes

Hoje a Igreja Evangélica Presbiteriana conta com uma filial, cuja sede recentemente concluída está localizada no Jardim Raquel, rua França e tem seus trabalhos dignificados pelo pastor Itamar Xavier.Também foi inaugurada já há algum tempo um ponto de pregação do Evangelho e estudos da Palavra de Deus, sob a direção de irmãoes da própria Igreja, situado na Vila Boa Esperança.

Aí está portanto, um pouco da história da grande Família Evangélica Presbiteriana em nossa cidade, que unidos pela Fé, souberam desde os seus primeiros seguidores, dignificar a nossa sociedade em ministrando os princípios cristãos e semeando a Luz de sua crença. Luz essa que tanto falta ao mundo de nossos dias. Que a fé inquebrantável de seus dirigentes maiores e de seus seguidores possa se unir no campo dos ideais mais nobres da cristandade.Que todos possam comungar com a fonte da eterna sabedoria divina, auxiliando a todos que aceitarem Jesus em seu coração.Enfim, que possam através de seus exemplos e da revelação divina em suas almas cooperar com a evolução do pensamento do homem, para que este possa comandar em todos os níveis da atuação humana os desígnios de nosso planeta. Felizmente, tive o privilégio de ter como amigos os casais Israel Bologna – Edith Wiesmann e Ediveti Mayato – Irineu Pereira, sem os quais seria impraticável a publicação desta matéria nesses moldes e com tantos detalhes. Parabéns aos presbiterianos pelos tantos anos de fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil e em nossa cidade.

 

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