Pedro Eirale
(O Terrível)

Foto
raríssima de Pedro Eirale
Poucos se lembram ainda hoje desse personagem franzino e "levado da breca", que com sua pena e seu tablóide de quatro ou cinco páginas torturava os pacatos cidadãos da Penha do Rio do Peixe. Pedro Eirale foi uma figura, muito popular e que causou muita polêmica em Itapira no princípio do século. Dado a brincadeiras, pilhérias e chacotas exercia uma influência mágica na sociedade da época, que via nele incorporado, o próprio "Pedro Malazarte" de nossas histórias infantis. Até parece que o nome Pedro o influenciasse a se refletir nesse personagem e provocar todas as malvadezas e peripécias que incomodavam as pessoas. Foi protegido do Dr.Mário da Fonseca que pela sua cultura e educação acabava por defendê-lo justificando as suas intenções, como sendo a de uma pessoa muito alegre e brincalhona. Foi quando numa de suas mais extraordinárias brincadeiras envolveu e deixou muita gente querendo a sua cabeça. - Esse episódio se passou nos idos de 1917, quando Pedro Eirale anunciou aos quatro cantos da cidade, que durante um espetáculo que ia ao palco no Teatro Santana, todos iriam assistir a um magnífico show estrelado por ele. - "O homem que aparece e desaparece". Chegado o dia do espetáculo, o teatro estava lotado e a bilheteria "estufada" de dinheiro. Todos aguardavam ansiosamente como seria feita a tal mágica anunciada por Pedro. Este se apresentou subindo ao palco e disse: aqui está o homem que aparece. Ato contínuo fechou-se atrás das cortinas e enquanto todos esperavam o que ia acontecer, Pedro rumou direto para a bilheteria que estava sem ninguém, porque o próprio bilheteiro não querendo perder o grande show de mágica, postara-se como assistente provavelmente ali nas primeiras fileiras. Pois bem, Pedro pegou todo o dinheiro da bilheteria e desapareceu. De fato: diria ele mais tarde (após tudo resolvido com panos quentes colocados pelo Dr.Mario, seu protetor)...Ao ser argüido apenas disse: - Eu não menti! Eu apareci e desapareci. Agora, cá entre nós. Durma-se com um barulho desses.
Foram tantas as histórias que salpicaram neste chão itapirense e que tinham como personagem o terrível Pedro Eirale, que apenas a pronuncia de seu nome já causava preocupações.
Fundou em Outubro de 1907 "O Tempo", um jornalzinho critico e que teve vida efêmera.

Jornal "O Primeiro de Abril" de 1917 e página de propagandas de casas comerciais.
Note o jornal escrito "à mão".
Em 1914 fundou o jornal "Primeiro de Abril" e com sua verve inflamada mexeu com a sociedade destilando-lhe todo o seu veneno. O lema de seu jornal como estampava na primeira pagina era: "Jornal Independente – Não tem medo de pau" e jocosamente anunciava uma tiragem de 20.000 exemplares mensais. Durou apenas 4 anos seu tablóide, porque atingindo constantemente a sociedade com a sua dura pena, não lhe restou patrocinador de coragem que lhe garantisse a continuidade. Seu ultimo numero (o 43), publicado em 12 de Agosto de 1917 devido as dificuldades financeiras, foi escrito totalmente à mão, ou em manuscrito. Dotado de um senso de humor invejável, nem por isso absteve-se de mudar seus pontos de vista e seus ideais. Como um asno empacador finalizou a edição de seu histórico "Primeiro de Abril", mas não entregou os pontos. Não sabemos muito de sua procedência e a sua genealogia é pobre. Foi praticamente adotado ou protegido pelo Dr.Mário da Fonseca. Casou-se, pelo que se sabe com Francisca de Tal e teve duas filhas: Pedrina e Salvina, cujos nomes foram citados no seu jornal manuscrito de numero 43.Foi um personagem incomum dotado de muito carisma e também odiado pelas suas transgressões literárias, alcançando todos sem exceção. Nasceu em 1874 e faleceu em 1918 com apenas 44 anos, um ano após a publicação do ultimo número de seu polêmico e histórico jornal. Esperto, bem humorado, inteligente, critico, teimoso, carismático, idealista perseverante, independente e corajoso. Esses são predicados que de uma forma ou outra nortearam a sua tão curta existência e que marcaram profundamente a sua presença na história de Itapira. Parabéns Pedro Eirale, pelo que foi e pelo que representou como exemplo naqueles idos de 1900. Publicamos acima, o que nos parece ser uma das poucas, senão a única foto existente de Pedro Eirale, encontrada num dos números de seu tablóide. Anexamos também a página de rosto de seu tablóide "O Primeiro de Abril" e a última página, onde podemos ver os diversos anúncios de propaganda das casas comerciais da época: "Farmácia da Fé, cujo proprietário era o seu Saturnino Galvão de Franca e que ficava na Rua José Bonifácio, esquina com a Rua João de Morais; Loja "Ao Mundo Elegante", onde se vendiam fazendas finas, perfumaria, calçados, chapéus e bengalas (tão em moda na época), etc. Seu proprietário era o sr. Joaquim Batista de Oliveira; "Padaria das famílias Alemã" que ficava na Rua do Comércio, 29; "Barbearia do Sr. Nicola Maria Pepe, que também ficava na Rua do Comércio. Nicola era casado com Dona Julieta Trani e eram pais dentre outros de Ester Pepe que foi casada com Manoel Ferreira Cintra, irmão prof. Pedro Ferreira Cintra que foi diretor do ESO em 1951 e de 1956 a 1967.Julieta por sua vez, era filha de Giovanni Batista Trani e de Maria Gonçalves de Morais, neta de João Gonçalves de Morais co-fundador de Itapira; Outro anúncio interessante dizia respeito a "Fabrica de Cigarros" que pertencia ao sr. Luigi Galdi, pai dentre outros dos Drs.Aquiles, Décio e Raineri Galdi. As marcas desses cigarros eram: Isolda, Explendor e Feline e marcaram época em Itapira principalmente nos carnavais onde certa vez num daqueles corsos inesquecíveis, uma das vedetes desfilou exuberantemente vestida a rigor e muito "chic" fumando um bastante longo cigarro da fabrica do Luigi Galdi. Outros anúncios interessantes preenchiam as paginas do jornalzinho do Pedro Eirale que a duras penas os ia compondo e desenhando artesanalmente. Nessas duas páginas aqui estampadas podemos observar que o tablóide a qual pertencem, foi totalmente escrito " à mão" e provavelmente foi seu último número. Outras histórias e fatos enriqueceram a personalidade de Pedro Eirale". O Terrível". Vez ou outra lembraremos para matar a saudade de quem ainda se lembra um pouco dessa época e para que os mais jovens possam saber um pouco do que já se passou nesse nosso chão itapirense.
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