"A FAZENDA MATAO"
História
Sr. Augusto
Fracarolli e Dona Petronella Caus
Essa
fazenda de 150 alqueires pertenceu ao Sr.Augusto Fracarolli, tronco da
vastissima prole dos Fracarolli de Itapira, e estava ligada a outra fazenda de
sua propriedade chamada Bella Vista dos Forões. O Sr. Augusto Fracarolli, nasceu
em Belfiore d’Adice, Verona na Itália
a 31 de Agosto de 1877. Já estava
no Brasil desde 1892 e foi casado com
Dona Petronilla Caus que nasceu no Império Austríaco em 1879.Adquiriu a
fazenda Bella Vista dos Forões, conhecida apenas por “Forões” que se
localiza a mais ou menos 22 quilômetros de Itapira,indo pela estrada que vai
para Jacutinga.Essa fazenda possuía 61 alqueires em 1935 e era
destinada principalmente ao
plantio de café. Possuía todos os requisitos necessários para esse e
quaisquer tipos de cultura. Água em abundância, terreiros para a
secagem do café, moinho de
fubá movido a eletricidade (um luxo na época), caminhões, carro de passeio,
chiqueiro, paióis, mangueirões, pomares, iluminação elétrica, etc.Habitavam
ali na fazenda doze famílias de colonos, cada um com sua casinha, construída
com bom gosto .Era uma fazenda modelo.A Fazenda Matão, também era
destinada a cultura do café que era ali mesmo beneficiado por uma
potente maquina Amaral de beneficiamento para 400 arrobas.Essa maquina era
movida por um vapor “Mac Hardy”. Havia 25 alqueires destinados ao pasto onde
engordavam numerosas cabeças de
gado.Catorze famílias de colonos dinamizavam a vida da fazenda com seu trabalho
diuturno.Havia ainda escola primaria estadual onde eram ministrados os primeiros
ensinamentos as crianças, filhas dos colonos. Nessas duas fazendas foram
nascendo os filhos do sr. Augusto e D. Petronilla: André, Maria, João Luis,
Catarina, Ernesto, Antonio, Mario, Anita e Cinira.

Fazenda Matão em 1935 e em foto de 1997
GENEALOGIA

Família Fracarolli
Da esquerda para a direita: Pedro, Augusto, Anna, Ester, Antonio, Luis, Teresa Bazani, André, Aquiles e José Jesuino
André o filho primogênito, nasceu em 25 de Julho de 1899 e foi casado com Teresa Bazani, filha de Jose Bazani e Catarina Gaspardi. Foram seus filhos: Antonio, nascido em 18 de Junho de 1925, casado em 06 de Novembro de 1948 com D.Julia Galvani, nascida em 24 de Janeiro de 1930, filha de Pedro Galvani e Domingas Franzoni.O casal tem apenas um filho, Mauro Fracarolli que esta casado com Laurentina Lopes; Aquiles, segundo filho de André, casou-se com Eugenia Toledo e são pais de Teresinha, Maria de Lurdes e João Batista; Jose, o terceiro filho de André, casou-se com Teresinha da Silveira e são pais de Ivone casada com Jesus Sebastiao de Oliveira, André Neto casado com Leila Domingues, filha de Luis Domingues e Rute Cavarzan. São pais de Tiago; Marlene casada com Ronaldo (?); Ana Benedita, quarta filha de André, que nasceu em 04 de Abril de 1930 casada em 29 de Julho de 1950 com o sr. Genésio Pianni, nascido em 29 de Agosto de 1923 em Jacutinga, MG. Foram pais de Lurdes de Jesus, casada com Edson Scarpionni, filho de Paulo Scarpionni e Antonieta Zamboim, Lurdes e Edson são pais de Marcelo e Kelly Cristina; Teresinha Benedita; Maria de Fátima, nascida em 07 de Agosto de 1958, e professora e funcionaria pública, casada em 30 de Abril de 1988 com Jose Benedito Gonzaga Cintra Junior, nascido em 19 de Maio de 1956, descendente da tradicional família Cintra em Itapira, filho de Jose Benedito Gonzaga Cintra e Elzia Mancini. São pais de Teresa Carolina Pianni Cin-tra; Jose Carlos, casado com Maria Inês Pellizer filha de Luis Pellizer e Zaira Topan; e Natal Donizete solteiro.Augusto Neto, quinto filho de André casou-se com Teresinha de Almeida e são pais de Luis Benedito casado com Rita de Cássia Vieira e de Edna; Ester casou-se com Alcides Cavenaghi, filho de Luis Cavenaghi e Angelina de Pauli. São pais de Doralice que foi casada com o vereador Eliel Coraça. São pais de Hadassa e Diego; Pedro, o sétimo filho de André casou-se com Iolanda Pavinato, filha de Alfredo e Rosa Fracarolli. São pais de Fernando e Vagner; Luis, oitavo e último filho de André, casou-se com Carmelina da Silva e são pais de Sebastião Aparecido e Ana Maria. Maria Fracarolli, a segunda filha de Augusto, casou-se com o Sr.Luis Torres, que foi proprietário do Apiário Sto.Antonio, são pais de Antonieta, casada com Jesus do Amaral; Liornes casado com Neusa Gomes Pereira, filha de Isaltino Gomes Pereira (o Tino Alfaiate), e de D.Olga Vicentini; Cevamdira, casada com Heraldo Peres, sócio proprietário e co-fundador da Clínica Santa Fé de nossa cidade; Laércio casado com Nair Peres, filha de Belarmino Perez Sobreira e Rosa Butti; Matilde, casou-se com Antonio Rosário filho de Francisco Rosário e Rosa Beraldo. João Fracarolli, o terceiro filho de Augusto, casou-se com Maria Bazani, filha de Pedro Bazani e Cezarina Gaspardi. São pais de: Olga, Fernão Liberato e Maria Aparecida. Catarina Fracarolli, a quarta filha de Augusto, casou-se com o Sr.Pedro Bazani Sobrinho, filho de Jose Bazani e Catarina Gaspardi e foram pais de Teresinha Conceição, Mario Sebastião, Herbert de Jesus, Helena Antonio Lourenço, Evangelista Antonio, Alcides Aparecido Bazani, Alice Luisa, Maria Aparecida, Mauricio Jose, Sergio Augusto e Helio Benedito. Ernesto, o quinto filho de Augusto, casou-se com Palmira Bazani, filha de José Bazani e Catarina Gaspardi. Foram pais de Antonio Bernardes e José Liberato. Antonio Fracarolli, sexto filho de Augusto, casou-se com Odila Frazão; Alsira Fracarolli, sétima filha de Augusto, casou-se Antonio Recchia, filho de Júlio Recchia e Amália Vidotto. São pais de Ronaldo que casou-se com Maria Cavenaghi, filha de Hortêncio e Miriam Diva Ramonda; Cinira, oitava filha de Augusto, casou-se com Severino Sartori, filho de Umbelino Sartori e Jacinta Tarrasqui. Foram pais de único: Gustavo Sartori, que casou-se com Sueli Cescon, filha de Antonio Cescon e Cira Bagini. Mário Fracarolli, nono filho de Augusto e solteiro Luis Fracarolli, décimo e último filho de Augusto, casou-se com Maria Guerra e são pais de Julia, Mercedes, Paulo, Antonio Luis e Odete Maria. Augusto e Petronilla, tronco dessa vastíssima família deixaram em seus descendentes a mesma força e a mesma capacidade para o trabalho. André o seu primogênito ficou com a administração da fazenda Matão e ali também criou seus filhos.Em meio a cultura de café soube direcionar através de uma vida honesta e laboriosa o sucesso de suas propriedades.André faleceu em 14 de Fevereiro de 1987, deixando um vazio imenso no seio dessa importante família.

Sede da Fazenda Matão em 1935

Sede da Fazenda Matão (hoje abandonada) em foto de 1997
- Acervo Paulino Santiago -
Hoje, passado alguns anos de sua morte, a fazenda Matão está com seus dias contados.O casarão assobradado com a data de 1905 gravada na grade que serve de bandeira para a porta de entrada e o terreiro de café cuja data de 1908 escrita em relevo em uma de suas laterais de pedra, revelam ao visitante a nostalgia, a tristeza e o eco das lembranças mortas.Por ali. Não mais se verão as carroças e os tratores a lidar com as incansáveis 16 bicas de café da grande máquina de beneficiar, hoje obsoleta e abandonada.Aquele local não mais será palco das fainas diárias, das festas e do corre-corre e algazarra das crianças.Nem mesmo a escola abrigará os filhos de seus colonos.

Foto do trator "Zetor, modelo 25-A" de 1955 que foi usado na Faz.Matão
Vemos ainda na foto o José Benedito, o autor da matéria e o
"seu"Antonio Fracarolli, o último dos filhos do sr. Augusto e D. Petronilla
Colaborador
Lucas Nori
Micheletti
Téc. Serv. Administrativos
UGI - Pirassununga
(Fez correção na data (de 1925 para 1955) do trator referido, cujo modelo é 25-A)
O incansável trator de
marca “ZETOR”, cujo ano de fabricação – 1925 - contrasta com a sua força
e potência ainda demonstrada quando se lhe ligam o motor quase octogenário não
mais tem sentido.Com as dificuldades dos tempos de hoje tornou-se inviável
investir em culturas de café de outros tipos de plantação. Seu Antonio, o
único remanescente da família que ainda insiste emocionalmente em permanecer
na propriedade, conta inúmeras histórias que por ali aconteceram.Desde a época
da revolução e do destemor com que as vezes tinham que enfrentar os
soldados, até os cartuchos das balas já vazias, encontradas pelo meio da
fazenda, tudo faz ainda lembrar
um passado que ficou nas páginas do tempo.Quando ali chegamos, após
serpentear pelas curvas e cômoros elevados daquela estrada de terra batida,
Paulino Santiago e José Benedito e eu pudemos antever a beleza do local e
pudemos esboçar num relance, um momentâneo retorno ao passado.Percebemos quão
gigantesca e hercúlea deve ser a administração e a labuta em uma terra para
que esta se mantenha produtiva, farta e economicamente viável. Jose Benedito
descende da família Cintra, sendo filho de José Benedito Gonzaga, neto
paterno de Luis Gonzaga Cintra, bisneto de Aureliano Cintra (guarda fiscal da
Fazenda Amarela). Por este ascende em linha direta e reta aos comendadores
Matias Cintra e João Batista de Araújo Cintra.É casado como já me referi
acima com Maria de Fátima Pianni, neta materna
de André Fracarolli, pela sua mãe Ana Benedita. Foi através de José
Benedito e por concessão de sua sogra D.Ana Benedita Fracarolli é
que se tornou possível adentrarmos na história dessa que foi uma das
mais importantes e produtivas fazendas de Itapira.D.Ana Benedita ainda se
lembra com saudades de sua infância, adolescência e após casada da vinda de
seus primeiros filhos.Nasceu ali naquela fazenda quando então tudo era
extraordinariamente belo e cheio de vida.Na sua infância frequentou a
escolinha da fazenda e lembra-se ainda de uma coleguinha de classe - Nair
Beghini - que viria muitos anos mais tarde se tornar minha sogra, hoje
falecida, mãe que foi de Lucia minha esposa, Marli, Marcos, Laércio e Márcia.Após
o casamento foi morar em uma casa da fazenda ali à margem direita do caminho
que dá acesso a casa sede.Local aprazível, com
muita sombra, viu irem nascendo e crescendo seus filhos, sempre
trabalhando juntamente com seu esposo Genésio Pianni.Viu também passar o
tempo e aos poucos irem se apagando os belos sonhos de outrora.Hoje reside na
cidade e sua netinha Teresa
Carolina ouve com muita atencao suas historias e lembranças.D.Benedita tem
muita saudade daqueles tempos e sentimos isso quando ali estivemos para
documentar historicamente os novos tempos por que passa a fazenda Matão após
o falecimento do Sr.André Fracarolli, seu pai.Fomos recebidos nessa época
pelo sr.Antonio Fracarolli, (o filho remanescente de André e que administra
ainda a fazenda), sua esposa D.Julia e o filho deles, Mauro que entre papos e
um delicioso e puro vinho branco (produzido ali mesmo), iam nos fornecendo os
dados solicitados.Contaram-nos
muitos “causos”, inclusive fatos ocorridos durante
a revolução de 1932, quando ali naquelas paragens as tropas mineiras
e baianas, adentrando pelo Eleutério abaixo, provocaram intensos e sangrentos
combates.Encontram-se ainda por ali cartuchos vazios de balas de fuzis.As
trincheiras margeavam a fazenda que presenciou silenciosa as lutas entre irmãos
brasileiros, triste página de nossa história.Os aviões lançavam suas
bombas, obrigando todos a procurar refugio nos paióis e manguezais.O som das
metralhas era ouvido à distância e provocavam ansiedade e muito medo.Ainda
se encontram por lá muitas lembranças desses tempos.Um desses cartuchos
encontrados foi guardado como relíquia pelo Mauro, filho do sr.Antonio
Fracarolli.Nessa breve visita pudemos resgatar muitos documentos históricos,
escrituras antigas e dados de extrema importância que nos ajudaram a compor a
história da fazenda. A casa
sede esta
abandonada e seus espaçosos
cômodos ainda guardam por entre uma e outra porta alguma marca de que alí,
gloriosos tempos de fartura davam colorido as suas paredes
hoje desgastadas num ocre-esbranquicado.Adentrando por aquela pórtico
altíssimo e embandeirado por uma grade quase secular datada de 1905,
percebemos que o passado deixou saudades e a nossa presença alí é
prova disso.Os descendentes de “seu” André Fracarolli devem ter se
sentido angustiados e impotentes frente à adversidade e ao abandono daquela
que foi a raiz de suas vidas.Num dos cômodos da casa ficaram concentradas as
tralhas do que restou apos o falecimento do sr. André. Foi nesse cômodo que
conseguimos resgatar 33 escrituras antigas, que contam a historia das muitas
transações de terras ocorridas naquela área. Muitos documentos citam a
compra e venda de sítios e fazendas cujos proprietários sao anteriores e ou
contemporâneos do patriarca da família, o sr. Augusto Fracarolli. Nomes
ligados a história de Itapira como Bento Pereira da Silva, Luis Pereira de
Alvarenga, Jose Pereira da Silva, João Nicanor Pereira da Silva, Deodato
Cintra, Américo e Virgilio Pereira, Francisco Maximiano Pereira de Oliveira e
muitos outros.Devem existir ainda outros documentos nos recônditos daquele
quarto, no entanto impede-nos
uma procura mais
detalhada, as cobras, as aranhas e escorpiões e um gambá
prenhe que ali habitam e
teimam em ser cordiais.Cada objeto, cada documento, cada pedacinho de chão,
enfim cada coisa ali, envelhecida, tem uma
história e um motivo para ter ficado ali.Das pessoas, alguns colonos,
o seu Antonio,D.Julia e Mauro ainda permanecem como remanescentes embora não
por muito tempo.Em 1935 João Netto Caldeira, autor do “Álbum de
Itapira”, assim se referiu a página 159, sobre a Fazenda Matão:
“...soberbo imóvel rural aberto em 150 alqueires e com 68.000
cafeeiros...”.Hoje o imóvel continua soberbo com seus 150 alqueires, no
entanto sem os cafeeiros e sem a alma da fazenda.Daquela
data ate hoje já lá vão 43 anos e nas paginas amarelecidas do tempo
o que sobrou foram papeis mofados
e corroídos, cujos escritos estão aos poucos mesmo quase apagados
contando-nos sua história, entristecida história.Há pouco antes de encerrar
esta matéria soube pelos herdeiros que a fazenda foi vendida ao Sr.Edmundo
Salim, proprietário da fazenda Malheiro, vizinha da fazenda Matão.Que novos
tempos possam fazer ressurgir das cinzas o Fenix dourado e encontre no apogeu
de outrora o mesmo brilho que por certo devera ainda encantar nossas vistas
nossas impagáveis lembranças Com essa venda, encerra-se o ciclo daquela que
foi a menina dos olhos do Sr.Augusto Fracarolli e do sr. André Fracarolli.
Nem por isso, seus descendentes que hoje fazem parte da historia de nossa
cidade, exercendo outras atividades, deixaram de reconhecer nos seus
ancestrais a grandiosidade de seu caráter, de seu dinamismo e principalmente
o grande amor que dedicaram as terras da inesquecível “Fazenda Matão”.Continuam
eles, aqui e ali “lavorando” e levando a frente a bandeira dos
FRACAROLLI,rumo aos anseios maiores de seus “nonos”. Alegres, unidos,
brincalhões e como todo bom descendente de italiano,adoram um vinho e um
joguinho de truco.E assim com a venda de suas terras, mas com um pedacinho
dela em seus corações gritam em uníssono com o “Zape” na manga do
colete: Trucooo!!!...Seis!!!.
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