O Circo no Mundo
e o
"Circo Teatro Irmãos Almeida em Itapira"

Antes de discorrermos sobre o "Circo Teatro Irmãos Almeida", que marcou época em nossa cidade, cujo sucesso até hoje vive dentro de cada itapirense cinquentão, seria importantíssimo retroagirmos no tempo. Dessa maneira faremos um passeio pelo antigo Egito e pela Grécia até aportarmos no Brasil e especialmente em Itapira, palco de nossas lembranças circenses.
HISTÓRIA ANTIGA DO CIRCO
A história da antiga arte circense ainda está envolta em brumas e os mais renomados entendidos no assunto só emitem conceitos periféricos e muito indelevelmente sem muita clareza.O Egito e a China são citados como precursores da arte circense, embora pairem muitas dúvidas sobre se as provas documentais existentes, tratariam realmente de aspectos ligados as artes cênicas e a malabarismos.Assim, há documentos sobre os "saltimbancos" que eram artistas fantasiados que exibiam suas habilidades nas vias públicas ou nas feiras.O antigo Egito nos facilita um pouco e nos permite rastrear a evolução dos espetáculos de pista que existiam há mais de 3.500 anos a.C., desde "les posticheurs" até os "combates navais no circo" (naumachies) e as corridas de bigas, realizadas nas arenas pelos faraós e posteriormente pelos romanos.
O Circus Maximus, em Roma comportava mais de 180.000 pessoas sentadas, onde se apresentavam números de corridas de bigas puxadas por um ou mais cavalos.Era um dos maiores circos que se tem notícia.A Rússia sempre esteve ligada aos espetáculos populares, danças, esportes, teatro e teve uma ascensão bastante pronunciada em relação ao mundo circense.O "Le Musee des Arts du Cirques ", de Moscou não tem paralelo no gênero.A França também tem sua participação nesse particular e em Paris funcionou uma das primeiras escolas circenses do mundo,"L'Ècole National des Arts du Cirques". Em 1902 Georges Strehly, foi um dos primeiros a implantar a Cultura Física na França.Conviveu com artistas e colheu experiências com ginastas e acrobatas do pessoal do circo.Escreveu suas experiências e seus métodos de ensino nessas artes num livro - "L'acrobacie et les acrobates".Nesse livro destaca os egípcios como os precursores da arte circense no mundo e como preceptores dos gregos.Documentos comprovam, que o equilibrismo e os jograis já existiam no antigo Egito muito antes, mesmo, das representações dessas modalidades na Grécia.Em 780 a.C. o"Stade D'Olympes", nesse mesmo país, ocupava uma grande área de terreno com característica de um imenso picadeiro oval, onde eram apresentadas várias modalidades de jogos e atividades esportivas: lutas e lançamentos de dardos, corridas a pé, com montaria, lutas greco-romanas etc..
Nesse mesmo local haviam apresentações de acrobatas profissionais.As gravuras apresentadas mostram na fig.1 os hieróglifos decifrados por Champolion e seus sucessores, onde se observa jograis em várias posições.Na fig.
Apesar de o Egito ser considerado o precursor do Circo, é da Grecia que emergem as mais diferentes modalidades de artes
ligadas aos esportes, recreações teatrais, acrobacias e artísticas que se tem notícia.As lutas greco-romanas, as corridas com carro, cavalo ou a pé, salto de rampa, combates, exercícios de força, exibicionismo muscular, acrobacias, equilibrismo, destreza, malabarismo, habilidades, luta acrobática, equestrismo etc.Tudo isso, fez da Grécia o país que criou classicamente as modalidades que posteriormente se concentraram dentro das artes circenses. A China, o Japão, a Arábia, Inglaterra, a França, a Itália, a Suécia, a Alemanha, os Estados Unidos e a Rússia foram países onde floresceu e onde surgiram inovações dentro da arte do Circo.
O CIRCO MODERNO

Grande International "Ringling Bros & Barney & Bailey Circus" numa de suas múltiplas apresentações
A Inglaterra em 1769, através de Philip Astley apresentou em Londres, numa espécie de picadeiro, um espetáculo equestre.Dez anos após, com o aumento sempre crescente do público assistente, mandou cercar de assentos esse picadeiro, criando então as arquibancadas.A essa espécie de arena orlada de assentos deu o nome de Astley Royal Amphitheater of Arts.Ele mesmo em 1783 abriu uma filial em Paris que alcancçou enorme sucesso.No transcorrer do sec.XIX a França desenvolveu ao máximo a arte circense e foram fundados alí por Antonio Franconi e seus filhos três grandes Circos Olimpicos.Luis Dejean construiu o Circo dos Champes-Elysèes, ou Circo de Verão (1841-1898) e logo após o Circo Napoleão ou Circo de Inverno que foi inaugurado em 1852 e administrado posteriormente pela família Bouglione (1934).Surgiram ainda em Paris o Circo Fernando (1873), chamado após de Circo Medrano, o Circo Oller em 1875, o Circo Metrópole (1906-1930). Nos Estados Unidos pioneiros como John Willian Rickets, Aaron Turner e Gilbert Spaulding e especialmente Phineas Taylor Barnum deram novos rumos aos Circos em dinamismo e proporções. Podemos citar grandes Circos que ficaram famosos no mundo todo: Ringling Barnum (EUA), Busch, Hagenbeck e Krone (Alemanha), Bertram Millo (Inglaterra), Orfei, Togni e Sarrasani (Itália), Knie (Suíça), Strassburger (Holanda), De Jonghe (Bélgica), Circo de Moscou (URSS), Humberto (Tchecoslováquia), Price (Espanha), Kozo Kinoshita (Japao).

Equilibristas, domadores e trapezistas,

Malabaristas
OS CIRCOS NO BRASIL

Troup dos Irmãos Temperani estreando em São Paulo
No Brasil apesar do prognóstico sombrio quanto a sobrevivência da arte circense, já esboçado pela enciclopédia Delta Universal publicada em 1979 onde diz: "Alem de mal organizada, as companhias circenses são carentes de recursos e tendem a desaparecer", devemos esperar melhores dias par esta arte milenar que tanto fala ao nosso coração e à nossa alma infantil. Podemos citar as grandes famílias circenses que aportaram em nosso país e aqui desenvolveram seus extraordinários espetáculos:
Família Hetore Bragazzi
Onde Doninha, Francesco, Carmem, Salustiano, José, Leôncio, Margarida,Vicente, Teresa e outros mostraram toda a sua arte arrebatando os ruidosos e bisados aplausos naqueles anos de 1830. A atividade circense dessa família perdurou até 1870.Naquela época atuaram também os Circos do Professor Badu e do Comendador Caçamba.
Família Chiarini
Que era formada pelo José, Isabela, Heitor, Pedro, Alda e Humberto grandes mestres do malabarismo, equilibrismo, contorcionismo, equestrismo e danças típicas.Uma das últimas apresentações do Circo Chiarini foi no Rio de Janeiro em 1869.
Família de Alexandre Luande
O Circo Equestre e Ginástico dessa família marcou temporada em São Paulo em 1861/2 e era originado de um dos países da América Central.Atuaram também em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.São membros dessa família:
Clarinda, Carlos, Guilhermina, Abelardo, Alice Guilhermina, Teresinha, Martinho e Alexandre.
Família Lustre
Representada pelos seus membros dinâmicos e atuantes: Frank Brown, Rosita de la Plata, Jerônimo Colman, Irmãos Martinelli, Astrogilda Fernandes, Netusa Fernandes, Serafim Fernandes, Jorge Henk, Liendo e Afonso Lustre.Tinha sua sede em Manaus mas isso não o impediu de percorrer as Províncias de Minas e de São Paulo.
Família Pery
Remonta este circo aos anos de 1870 e foi uma companhia muito querida no Rio de Janeiro.Seus membros foram: Silvana Polybio, Anchyses, Kaumer, Arare, Aymore, Caramuru, Pitaguare, Aracy, Yara, Hilda. Kaumer Pery o "Tico-Tico", foi um cômico perfeito, tendo sido eleito "O Rei do Maxixe" pela imprensa carioca."O patriarca dessa família foi Manoel Pery, professor de artes circences e seus filhos foram acrobatas, ginastas, equilibristas, malabaristas e cômicos perfeitos.
Família Martinelli
Bastante ilustre, esta família executava números perigosíssimos de trapézio com duplos e mortais.Foram membros dessa família: Francisco, Maria, José, Isabel, Tito, Leopoldo, Guiomar, Floripes Lucinda, Acyola, Leonor Edyr, Alice, Jacy e Djalma.Teve descendentes ilustres ate anos de 1920 e 1930.
Família Avanzi e Freitas (Circo Nerino)

Essa família, cuja foto estampamos abaixo, era composta de artistas provindos de duas famílias.Reconhecidos nesta foto do Circo Nerino de 1929 estão Nestor de Freitas Filho, Minervino Silva, Nestor de Freitas, Thomaz Soah, Nerino Avanzi, (Picolino), Gaetan Ribola, Anita de Freitas, Adelia Silva, Alice Fernandes, Myris Fernandes, Armandine Avanzi, Artur Fernandes, Julio Avanzi, Matildde Ribola, Armandina de Freitas, Cidinha Silva, Lili Silva, Ivone Avanzi, Aurea da Silva, Roger Avanzi, Mario da Silva, Wilmar de Freitas, Ademar Fernandes, Emme de Freitas, Nadir de Freitas e José Bartholo.
Após essa fase inúmeros outros Circos, com suas tradicionais e importantes famílias fizeram a alegria das crianças e dos adultos por todo o país.Podemos lembrar de alguns: Circo Globo Nacional de Sandro de Brito, Circo Irmãos Dantas, Circo Teatro Cachimbinho, Circo Jóia, do Carioca, Circo Irmãos Siqueira, de Anael Siqueira, Circo Juanito, de Edson Carvalho, Circo Marisol de Irineu Nunes, Circo Fofinho de Luis Mario Bezerro, Circo Mauá, de Francisco Lima, Rolen Circus de Marcondes Marques Barroso, Circo Lilian de Wanderley Daciano, CIRCO IRMAOS ALMEIDA de Walter de Almeida, Circo Guaraciaba de Antonio Malhone, Circo Teatro Real de Hudi da Rocha Camargo, Circo Rico, Circo Vostok de Antonio Cajueiro, Circo Colorama, Circo Aquarius, Circo Dancing Show, Circo Ayres Junior, Gran Bartholo Circus, CircoTeatro Irmãos Garcia, Circo Romano, Circo Continental e muitos outros.
ASSOCIAÇÕES E ENTIDADES CIRCENSES

Assinatura da isenção de Impostos Municipais para os Circos.
Vemos da esquerda para a direita: o palhaço "Piolin", o pai do palhaço "Chuchu", Alcebíades (Sec.da Ass. das Entidades Circenses), Paulo Seissel (irmão do palhaço "Arrelia" e vice pres. da Associação Walter de Almeida, palhaço "Pimentinha", um vereador de Campinas, Daniel Bernardes (Pres. da Ass. das Entidades Circenses). Assinando o documento,o prefeito da época José Nicolau Ludgero Maselli. Depois vemos Luis Signorelli, Jamil Gadia e Américo Piva.
(Foto tirada no gabinete do prefeito - Diário do Povo de 4.6.1959)
Desde 1919 os diretores e empresários de Circos sentiam a necessidade de agrupar todas as atividades circences em um tipo de agremiação onde pudessem se unir em prol de melhorar a classe, sob todos os aspectos, jurídicos, técnicos, profissionais, artísticos, econômicos, promocionais, etc.
A idéia era de criar um Estatuto onde todos pudessem encontrar respaldo sobre, direitos, deveres, obrigações, condutas éticas, campo de atuação, programações de espetáculos, definir modalidades circenses, etc.Foi assim que surgiu em 1919 no Rio de Janeiro o primeiro esforço de Cristovam José Mendes, ex-artista e diretor de Circo e chefe de uma secção da Estrada de Ferro Central do Brasil. A idéia de Cristovam era agrupar artistas de picadeiro em uma sociedade que representasse a classe.Como em tudo que idealizamos encontramos críticas e má vontade, a idéia malogrou.Em São Paulo também Luis Olimencha não obteve êxito em sua tão desejada Sociedade Circense. Ainda em São Paulo em 20 de Marco de 1925, surge a Federação Circense, idealizada pelo Cap. Canuto de Oliveira e Hipólito Rocha. Essa Federação atraiu empresários, artistas, músicos e outros elementos do circo.Foi inclusive criado um jornalzinho "O Boletim Circense" que circulava mensalmente e que se destacou por ser um veículo importantíssimo de ligação e comunicação entre associados e dirigentes. Fechou suas portas para tristeza geral em março de 1938.Seus diretores por motivos pessoais e de negócios não puderam dar continuidade à sua direção e administração. A Cruz Azul, como instituição beneficente assumiu o imóvel capital e o restante dos sócios, considerando-os como beneficiários do nosocômio. Após mais esse malogro, ainda em São Paulo no ano de 1963 Aldeny Faya, de família circense tentava novamente ressuscitar a Federação Circence.Funcionou com algumas modificações no seu estatuto, no entanto durou apenas 3 anos cerrando suas portas em 1966. Em 11 de Abril de 1977 a Secretaria de Estado dos Negócios da Cultura, Ciência e Tecnologia, fundou por ela amparada e prestigiada a ASSOCIAÇÃO PIOLIN DE ARTES CIRCENSES.Nessa época a Associação ja assume a realização do monumental "Festival Piolin de Artes Circenses", do "Natal no Circo" e do grandioso espetáculo que foi levado a efeito no Ginásio do Estádio Municipal "Paulo Machado de Carvalho", onde participaram nada mais nada menos do que 50 circos, com um público de 4.500 espectadores.Um grande desfile com carros alegóricos e muita animação encerrou essa monumental festa.A Associação organizou com deslumbramento total a homenagem à memória de Piolin, na abertura do espetáculo quando da estréia do Circo Thiany em São Paulo, no Anhembi.Essa grandiosa homenagem foi preparada pelos não menos gloriosos artistas Colman e Carlos Fernandes (O Dengoso), mágico dos shows arrebatadores.Nessa ocasião estiveram presentes convidados especiais: Dr.Max Feffer, então Secretário da Cultura, Procópio Ferreira e Dercy Gonçalves.A Associação ultrapassou fronteiras, estando presente em Portugal, Espanha, Inglaterra, Itália e outros países.
Em 08 de Agosto de 1977, foi inaugurada a Escola Oficial de Artes Circenses, representada pela Academia Piolin de Artes Circenses, que está localizada na área dos baixos Tobogãs, no Estádio Municipal "Paulo Machado de Carvalho". As atividades da Escola são dirigidas ao ensino e aprimoramento das artes circenses com aulas às segundas e quartas feiras a tarde estando naquela época sob a direção dos professores Jocelino Savala, Amercy Fabbri de Paula e Sarayde Roberti. O tablóide "Máscaras", Órgão Oficial da Associação Piolin de Artes Circenses desde 1981, vem através de seu Editor responsável Francisco Colman e seu Secretario Waldemar Merizio Vieira, criando espaços para reivindicações e auxílio a classe, informando e cooperando com dinamismo e além de tudo procurando dar um nível merecido as artes circenses.
OS CIRCOS EM ITAPIRA
Aqui em nossa cidade se apresentaram inúmeros Circos.Talvez o mais antigo deles tenha sido o "Circo Clementino", que armou sua lona e se apresentou em 16 de Janeiro de 1908. Seu diretor era o Sr. Clementino Zacharias que levou ao palco várias pantomimas e dramalhões. "Os salteadores de Serra Morena", "O Mussolino", "Guerra da Itália", "O casamento da Leiteira" e outras peças. Em 1924. O "Circo Landa", sob a direção de Tomásio Landa, também aqui se apresentou.Nesse mesmo ano o "Circo Royal" ou "Royal Circo", trouxe a sua Companhia Equestre e Zoológica, que foi montada no largo do Riachuelo.Em 1941 o "Circo Rei", deu seus espetáculos também montado no Largo do Riachuelo.Havia o Circo de Cavalinhos que se apresentava aos Domingos e dias de festas, no largo em frente antiga Igreja Matriz.. Seu proprietário era nada mais nada menos que o Itapirense Domingos Bianchi, tio do saudoso Cesar Bianchi, cujas apresentações também eram levadas para outras cidades da região.Domingos Bianchi, era um carpinteiro de "mão cheia" e fabricava ele próprio os cavalinhos feitos de madeira em um galpão nos fundos de sua casa, que ficava onde hoje é a residência dos Sr. Sezefredo Fecci, à Rua 7 de Setembro, 52. Orlando Cestari, conhecidíssimo fotógrafo, trabalhou com o "seu" Domingos Bianchi, na qualidade de lixador. Após as partes de madeira estarem todas coladas e já com o formato apropriado, era Orlando quem dava os últimos retoques com as lixas.Haja mão! Seus cavalinhos eram vendidos também para as companhias de parques de diversões que se apresentavam na região devido a boa qualidade e a perfeição com que eram feitos esses cavalinhos. Naquele tempo não havia eletricidade e os cavalinhos agrupados em duplas e assim atrelados parelha por parelha uma atrás da outra, formavam um grande círculo unido por um eixo central que era tocado a "empurrão", isto e, no "muque" mesmo! Quem empurrava eram sempre meninos que ganhavam o direito de após várias voltas empurrando, os outros, pular sobre um dos cavalinhos e esperar a parada do carrossel.Novo empurrão e nova subida...Naqueles tempos os circos vinham através da via férrea Mogiana e aportavam alí na Estação do Trem, onde hoje está o "Circolo Italiano". Assim todos os apetrechos do Circo ficavam amontoados nos terrenos ao longo da via férrea da Estação aguardando o transporte para o local onde seria armado.Esse evento atraía a atenção de todos, principalmente das crianças.Quando o Circo trazia animais a atração era maior ainda. Ficavam os animais: elefantes, camelos, zebras, girafas, gorilas, leões, tigres, macacos e outros, expostos à visitação pública para a alegria de todos que principalmente naqueles idos de 1930/40 ainda não tinham visto tanta diversidade de animais. A curiosidade era total e o espetáculo acabava acontecendo mesmo não se indo ao Circo.
Muitos outros Circos passaram pela nossa cidade e fica difícil lembrá-los.Praticamente reconhecido como os primeiros circo instalados em Itapira entre 1902 e 1906. temos conhecimento da "empresa ginástica e equestre Circo Universal", estampada no jornal "O Itapirense"- Os diretores desse circo eram os srs. Freitas & Leite e foi instalado provavelmente nos terrenos próximo ao antigo Estádio "Chico Vieira", ao lado do parque...Também o "Circo Clementino" se instalou em Itapira em 1907, pertencente ao sr. Clementino Zacharias; o "Circo François" esteve em nossa cidade entre 1910 e 1920, armado no terreno do aterro que vai ter à estação de estrada de ferro; O "Circo de Touros", foi armado na praça São Benedito; O "Royal Circo, companhia equestre e zoológica armado no Largo Riachuelo; O "Grande Circo Inglez" da Empresa Espanhola "Egochaga & Canales", em 1915; "Circo Stankowich", armado na Av.Com. Virgolino de Oliveira em 1999; Circo Irmãos Martins,"Circo Irmãos Borelli" armado na Av. dos Italianos em 2002.
De todos os Circos no entanto um marcou época devido ao vínculo de amizade e sentimentos que despertou no povo itapirense. Foi o "Circo Teatro Irmãos Almeida", que chegou a ficar quase um ano, levando espetáculos quase que diariamente despertando um sentimento familiar em relação a todos os seus artistas.
O CIRCO TEATRO IRMAOS ALMEIDA

Pavilhão do "Circo Teatro Irmãos Almeida" de propriedade do empresário
Walter de Almeida, numa de suas últimas apresentações

Interior do "Circo Irmãos Almeida" numa de suas apresentações
Aportou aqui em nossa cidade pelos idos de 1953, seu diretor Walter de Almeida, abnegado, jovem, já com sua esposa e alguns filhos.
Procurando local para a armação do seu "palácio de lona verde ", dirigiu-se para o local costumeiro onde se armavam quase todos os circos que por aqui passavam.Surpresa! Alí não poderia armar seu Circo...Naqueles tempos a perda de tempo, a viagem de retorno, a procura de nova cidade traria, sem dúvidas nenhuma, muito prejuízo.Já desanimado Walter já ia rumando pela Rua do Amparo (hoje Rua da Penha), para sair da cidade. Ao longo da Rua,depara com um enorme terreno à direita na altura da esquina que adentra para a Vila Presidente Kennedy , o popular "Tola Cavalo", naquela época pertencente ao Freitas "bigodudo", tio do Neco de Freitas, meu pai. Após tratado os "etceteras" , armou-se pela primeira vez em Itapira o "Circo Teatro Irmãos ALMEIDA ", cujas temporadas entre idas e vindas duravam meses, quase anos."

Walter de Almeida num cartaz da gravadora Chantecler
Nas minhas reminiscências do passado, sempre guardei a imagem desse Circo, como um marco da minha infância.Luzes feéricas, alto-falantes, pipoqueiros, multidão em fila, comprando ingressos, burburinho, vozerio, misturado as "guarânias" e aos brados dos vendedores: Olha o Amendoim! Pipoca quentinha! Também muito choro de criança, algodão doce e um sem fim de flashes e de momentos inesquecíveis que não se apagaram com os anos.E já se passaram precisamente 44 anos! Muitas e muitas vezes o Walter de Almeida e sua "trupe", retornaram a Itapira, ora armando o Circo no largo de São Benedito, ora na Rua da Penha e ainda pela última vez no alto da Santa Cruz, provavelmente na década de 60/70.Pelo tempo que o Circo permanecia na cidade, aos poucos os seus artistas começaram a fazer parte da sociedade itapirense e um sentimento de familiaridade, se desenvolveu e permitiu que suas atividades circenses ficassem fazendo parte da História da cidade.Walter sempre carismático e muito educado, além de um perfeito "gentleman", era o homem dos sete ofícios. Artista mesmo, fazia de tudo e sempre com muito respeito tratava a todos com alegria. Mesmo naqueles momentos quando nos "varávamos por baixo da lona do circo"para assistir o espetáculo de graça, a ordem de Walter era para que os seguranças não nos tirasse do circo.Sabia ele ser criança e respeitar os sonhos infantis.Certa vez após já estar com a casa cheia e os ingressos todos vendidos suspendeu a "função", quando soube do falecimento de uma pessoa muito querida que residia quase em frente ao Circo.Daquele dia em diante a família do extinto sr. Acácio Pinto,(benzedor), e todos os itapirenses puderam conferir mais um preito de gratidão e valorizar o caráter desse homem de Circo que, além de artista sabia também sentir a dor alheia, no âmago de sua alma. Em outra matéria sobre o "Circo Teatro Irmãos Almeida", pude deixar algumas impressões que marcaram a presença do Circo do Walter em nossa cidade e que podem ser consideradas outras pérolas de lembranças que junto com estas formarão uma jóia de rara beleza a ser ostentada para sempre.

Entrada tipo "Bônus Escolar" para o Circo Teatro Irmãos Almeida
"Acervo José Benedito Gonazaga Cintra Júnior"
Antes de iniciar esta matéria, estava um pouco descrente quanto a sua parte ilustrativa, porque não havia nada, nenhum cartaz de propaganda, ingresso, fotografia, relatos, quase absolutamente nada! Um texto vazio de imagens fica muito pobre e não acrescenta muito.Falando disso ao meu amigo José Benedito Gonzaga Cintra Junior, acabou ele encontrando em seus guardados um entrada tipo bônus escolar do Circo Irmãos Almeida.Foi um achado e essa era a única peça ilustrativa que tínhamos. No entanto me perguntando se Walter de Almeida ainda estaria vivo, resolvi seguir as pistas de uma informação de que ele estaria residindo em Campinas.Tal informação veio-me de José Aparecido Siqueira, cantor da famosa dupla Irmãos Siqueira de 1958 e que posteriormente em 1972 formou o Trio Bandeirante.Hoje com perto de 15 Lps. gravados a dupla tem novo nome:"Rogério e Reinaldo".Disse-me esse conhecido cantor, que quando ainda menino vendia pipocas na frente do Circo Irmãos Almeida em Mogi Guaçu e que chegou a trabalhar no Circo como o palhaço "Tampinha" Após essa a conversa, e um telefonema para Campinas tudo se resolveu.Walter estava bem vivo e com boa saúde embaixo de seus 72 anos.Fomos até lá: Paulino Santiago com sua inseparável máquina fotográfica é ainda um jovem pela sua dinâmica e saúde.Pudemos então constatar então a mesma simplicidade, humildade e o grande carisma de artista que sempre foi o Walter de Almeida, motivo de nossas lembranças do passado.Recebeu-nos, educadamente em seu escritório, repleto de troféus, medalhas, diplomas e lembranças fotográficas as mais diversas possíveis.Naquela colcha de retalhos estampada na parede pude ver a grande vida e a grande obra desse artista que fez da arte circence a sua própria vida.Naquele momento veio-me a mente o que ele Walter estaria pensando e por certo seria isso: Tudo valeu a pena! Começaria tudo de novo! Naquela parede e sob as cinco pontes de safena que Walter adquiriu ao longo de sua jornada, batiam não um, mas milhares e milhares de corações de espectadores que vibraram com a grandiosidade de suas apresentações.O ritmo? ora o ritmo! Foram todos os ritmos possíveis e existentes.O colorido? Ora o colorido! Foram 72 milhões de cores que iridiscentes retocaram as maquiagens de seus anos e de todos os seus artistas num misto de festa e arco-íris. Tristesas? Sim quantas! As dificuldades financeiras, a chuva torrencial, a lona envelhecida e por vezes furada, o grande jogo da vida, a família, tudo isso fazendo dançar não só no palco das ilusões, mas no grande salão das atribulações e desânimos. As esperanças? Muitas! Senão tudo estaria há muito terminado.Sim, tudo valeu pena!!!
GENEALOGIA

Walter fala de sua família:
Vemos nessa foto: Walter de Almeida: o segundo semi-ajoelhado na primeira fila à esquerda de baixo para cima.
Na mesma fila vemos o Fredô à direita de Walter e Abegair com vestido estampado.
Não foi possivel reconhecer os outros garotos.No centro estão Diogenes de Almeida e sua esposa Idalina Maria.
Outras que aparecem, eram filhos dos irmãos de Diogenes.
Seu avô, Luis de Almeida já era artista de Circo.Seu pai Diógenes de Almeida (1914-1957), também foi artista circense e casou-se com Idalina Maria.Desse consórcio nasceram Alfredo em 1922, Walter em 05 de Fevereiro de 1925 e Abegair.Alfredo era o palhaço do Circo conhecido por todos como Fredô). Alfredo, (Fredô), o primogênito de Diógenes casou-se com Nair Gomes de Morais e tem os seguintes filhos: Rosemary, casada com João Lorenzi; Roseclair, casada com Roberto Rexexe; Rosely, solteira e Maria Aparecida casada com Ciro Porto, conhecido repórter de Televisão.

Walter de Almeida e Paulina Pachelli
Walter casou-se em 17 de Fevereiro de 1947 com D.Paulina Pachelli, nascida em 03 de Junho de 1927 e tiveram os seguintes filhos: Idalina de Almeida, professora, que foi casada em primeiras núpcias com Ernesto Ferreira, falecido.Idalina casou-se em segundas núpcias com João Batista Prado, tendo os seguintes filhos do primeiro casamento: Eliane, arquiteta; Heloisa, advogada e Ernesto Junior , analista de sistemas. Aberio Diogenes; engenheiro agrônomo; casado com Marli Ribeiro e são pais de: Viviane que faz computação, Aberio Junior; que faz publicidade, e Ana Paula, estudante.Viviane é casada com Jackson Pinto Bueno e são pais de Felipe (o primeiro bisneto de Walter e D.Paulina) Walter José; terceiro filho de Walter. Foi batizado por Dácio Amorim, e sua esposa D.Lusia, ambos de Itapira. Waltinho é psicólogo e está casado com Raquel Ferrari e são pais de Fernando, Leonardo, Helena e Isabela.Fernando é comerciário e os demais são estudantes. Abigail Maria; última filha de Walter, está casada com Ricardo Gonzaga e tem um filho Ricardo.Walter tem portanto uma prole bastante extensa, uma família no exato sentido da palavra.Com 11 netos e 1 bisneto,Walter não se aposentou e ainda em 1999 dirige como mentor-mór, juntamente com seus filhos a "Amor e Arte Promoções", importantíssima empresa que promove shows, festas, rodeios montagens de circos etc. Abegair, última filha de Diogenes, era a "Nhá Tica" que era muito engraçada provocando crises de gargalhadas nos espectadores com a sua verve humorística.Abegair casou-se com Sebastião de Souza e teve uma única filha: Sonia Maria. Alfredo (Fredô) e Abegair (Nhá Tica), já são falecidos. Diogenes, tinha mais 4 irmãos: Manuel que foi casado; Augusta, atriz e cantora de circo, foi casada com Cirilo Goncalves e tem os seguintes filhos: Adjanira e Jurandir; Filomena, outra irmã de Diógenes, foi equilibrista e casada primeiro com José Xavier e tiveram os seguintes filhos:
Hermógenes e Jandira.Hermogenes trabalhava com Walter e fazia sempre o papel de vilão e mau caráter.Fazia também o papel cômico do "Zé da Maria Comprida".Casou-se com Lusia Riscalli, também circense, era atriz caricata e" tiveram a circense Maria das Graças e Antonio.Jandira irmã de Hermogenes era atriz genérica.Casou-se com José Benedito Gomes e tiveram: Ranulfo, Neusa Gomes, excelente e linda cantora (a moreninha do samba) D.Aparecida Filomena.Valdemar; irmão caçula de Diógenes, fazia apresentações no "duble-role" e duplo-trapézio.Foi casado com Elsa Gomes, irmã do José Benedito Gomes e tia de Neusa Gomes.Valdemar e Elsa são pais de Valdemar Junior que foi o palhaço infantil: O "Minhoquinha". Aí está portanto a genealogia da grande família dos ALMEIDA, que já entrou no rol das grandes famílias circenses que já atuaram no Brasil.Sem dúvida nenhuma, pela qualidade, pelo tempo, pelos valores e acima de tudo pelo amor com que levaram a Arte Circense, essa nobilíssima família tem lugar de destaque no imenso palco que reúne os artistas de grande valor do mundo.
SOB AS LUZES DA RIBALTA

Alfredo de Almeida (palhaço Fredô) em suas apresentações musicais com Walter de Almeida
e a linda cantora (a moreninha do samba),prima de Walter

"Fredô" e o "Táxi Maluco"

Walter de Almeida e peças encenadas no Circo, além de inúmeras outras:
Aqui vemos: "E o Céu uniu dois corações" e // Mestiça

Abegair de Almeida, a "Nhá Tica" (irmã do Walter), numa cômica apresentação musical
O Circo Teatro Irmãos Almeida correu o Brasil todo, de Goiás ao Paraná; do Rio Grande do Sul a Minas Gerais.Ficou mais tempo em São Paulo. Itapira teve o privilegio de abrigar por muitos anos em várias temporadas o Circo do Walter.

Diversos cartazes de propaganda de São Paulo e Paraná
Estreou aqui em Itapira em meados de 1953 levando ao palco a peça: "Honrarás tua Mãe". Podemos lembrar ainda das seguintes peças teatrais que marcaram época naquela Itapira provinciana, quando não havia ainda a televisão: " E o Céu Uniu Dois Corações" de Antenor Pimenta, "Mestiça"; Ah! Mestiça! Quem não se lembra da quando Walter cantava:...Mostraram-me um dia; Na roça dançando; Mestiça formosa...) com a participação de Abegair (Nhá Tica) sua irmã e que fazia a lindíssima mestiça;"Rosa do Adro", "Silvio, o Cigano", " O Direito de Nascer", "Lágrimas de Homem","Carnaval no Rio"(revista),"A Noite do Riso" (revista)," Casamento do Fredô" (Comedia),"Marcelino Pão e Vinho", com a participação, fazendo o Marcelino, do Aberio, filho do Walter, "O Cangaceiro", "Jesebel"," Três Almas Para Deus","Os Irmãos Corsos" e tantas outras.Walter era sempre o ator requisitado para fazer o papel de galã, e o fazia muito bem. Trabalhou como ator praticamente em todas as peças que levaram ao palco.Possuidor de uma verve artística sem igual, tinha conhecimento de movimentos e postura no palco que faziam inveja. O ponto Juvelino Ferreira podia até faltar que o improviso se encarregava de fazer dar tudo certo.Desde os clássicos dramalhões até o tragicômicos eram representados com muita classe e perfeição. A dicção era perfeita e naqueles momentos mais dramáticos e emocionantes frequentemente saíamos em prantos do Circo, custando ainda a crer que toda a representação não passava de fantasia; de uma peça dramática...Todos, atores e atrizes tinham o grande mérito porque representavam maravilhosamente bem mas, sobretudo porque eram pessoas humildes, lutando para sobreviver e encantavam com a pureza de suas almas o "respeitável público" que não arredava o pé do Circo, chovesse ou não.Eram momentos de candura, de beleza e principalmente de sensibilidade, onde a platéia embevecida participava com o coração nas mãos, assistindo maravilhada o transcorrer das peças qual fossem novelas televisivas. O silencio era total. Apenas as luzes da ribalta permaneciam acesas e naquele lusco-fusco das lâmpadas amareladas, podíamos ir sorvendo o passar do primeiro; do segundo; do terceiro ato, até o desfecho final que eram ora trágico, ora feliz como sói acontecer com as histórias contadas pelo teatro.Nas suas apresentações sempre haviam novidades.Muitos artistas de renome participavam dos espetáculos: A famosa dupla de cantores "Cascatinha e Inhana", "Tonico e Tinoco", "Oscarito", "Mazzaropi", "Alvarenga e Ranchinho", Os trapalhões "Dedé","Didi", "Mussum" e "Zacarias", Cauby Peixoto, Luis Gonzaga, Vicente Celestino, o cantor Paulo Sergio, falecido precocemente, e até "A Caravana do Peru que Fala", com Silvio Santos, Geni Soares de Lima, Roberto Luna e o Homem do Macaquinho. Walter também se apresentava nos programas da Rádio Clube de Itapira, apresentado por Dácio Clemente e com total apoio do Luis Norberto da Fonseca.
Música:
A Mulata Franco
Composição: Gonçalves Crespo
(Cantada por Walter de Almeida em
suas apresentações circences)
Mostraram-me um dia, na roça dançando,
Mestiça formosa, de olhar azougado,
Com um lenço de cores cruzado,
Nos lóbulos da orelha, pingentes de prata,
Que viva a mulata,
Por ela o feitor,
Diziam que andava, perdido de amor !
De em torno dez léguas, da vasta fazenda,
Ao vê-la corriam, gentis amadoras,
E aos ditos galantes, de finos amores,
Abrindo seus lábios de viva escarlata,
Sorri a mulata,
Por quem o feitor,
Nutria quimeras e sonhos de amor !
Um pobre mascate, que em noites de lua,
Cantava modinhas, lundus magoados,
Amando a faceira dos olhos rasgados,
Ousou confessar-lho com voz timorata...
Amaste-o, mulata,
E o triste feitor,
Chorava na sombra, perdido de amor.
Um dia encontraram, na escura senzala,
O catre da bela mucama vazio,
Embalde, recordaram pirogas o rio;
Embalde, procuraram no escuro da mata,
Fugira a mulata,
Por quem o feitor,
Se foi definhando, perdido de amor
Cantava e tocava (violão elétrico), precursor da guitarra; Fazia dupla com seus irmãos: ora com "Fredô", ora com "Nhá Tica" e chegou até a gravar pela gravadora Chantecler. Era um verdadeiro galã e a cada apresentação sua, fosse cantando ou representando suas fãs mais o admiravam e a sua participação como ator ia encantando e fazendo inebriar os corações apaixonados.As peças que levavam ao palco chegavam a ser reprisadas até 15 vezes e era comum nós crianças quando brincávamos de "cirquinho", imitarmos em nossas apresentações infantis o grande galã Walter de Almeida e seus artistas. As palhaçadas do Fredô até hoje ainda se refletem na nossa retina e ainda podemos vê-lo com as suas calças sempre caindo, sua gravata curta listrada dependurada diretamente no pescoço, seu chapeuzinho coco sem aba, os enormes sapatões em "pé de pato" e o inconfundível bigodinho que ocupava apenas a laterais dos lábios a "la Cantinflas ". O humor era saudável, e bastava a figura do Fredô para cairmos na risada.O palavreado era gostoso de se ouvir.Muita piada, muito riso, muito tombo e tudo feito às avessas.Haviam as gincanas, os prêmios e a correria atrás da criançada que participava.O palhaço sempre era a atração esperada por todos e passava-se muitos momentos de alegria e muita gargalhada.O "táxi maluco" do Fredô, era terrível.Fazia um barulhão infernal e acabava se desmontando todo.Havia também o "seu Renato", ventríloquo, cujos dois bonequinhos o "Chiquinho" e o "Benedito", sobre os joelhos do seu interlocutor, arrancavam gargalhadas da platéia.Eram bonequinhos comportados, no entanto o Benedito era mais safado e apimentado do que o Chiquinho que fazia o papel de bonzinho.Benedito com seu jargão sempre repetia o famoso"Cavuco!", palavreado, misto de espanto e malícia. Essas diferenças de comportamento e de humor dos bonecos é que comandavam a graça do show, fazendo o público rir muito."Seu Renato" sabia muito bem como manipular essas diferenças e como excelente artista tinha no seu repertório piadas e situações de efeito rápido e muita comicidade. A "Nhá Tica" com aquele ar de meio "sonsa", sabia como ninguém ser cômica, engraçada e como cativar a platéia.Tinha um humor versátil e inteligente e vez ou outra lascava alguns "palavrões" disfarçados, (que hoje são caramelo na boca de criança), provocando ondas de risos.Sabia como ninguém ter postura no palco e contracenava brilhantemente em quaisquer situações seguindo o texto ou improvisando.Caricata, vestia-se "a rigor", cara pintada, vestido colorido de chita e um repertório sem fim de piadas e casos engraçados.
HOMENAGENS

Inúmeros troféus emolduram as paredes do escritório de Walter de Almeida.
O oitavo quadrinho a direita contando de cima para baixo da esquerda para
a direita vê-se o pres.Figueiredo homenageando Walter de Almeida

Vemos da esquerda para a direita: Ana Paula (neta), Dona Paulina, Walter e em pé no centro
Viviane (neta) com seu filho Filipe no colo. Filipe é o primeiro bisneto de Walter
Walter de Almeida já foi homenageado de todos os modos.A parede de seu escritório está repleta de taças, medalhas, troféus, diplomas, certificados, lembranças fotográficas etc.Chama a atenção uma foto onde está sendo cumprimentado pelo então presidente da Republica o Gal.João Batista de Figueiredo.Um dos momentos de muita emoção foi também quando no ano de 1959 foi promulgada a lei isentando de impostos municipais os espetáculos circenses.No gabinete do prefeito de Campinas naquela ocasião estiveram reunidos o presidente da Associação Circense, Daniel Bernardes, Paulo Seissel (irmão do Arrelia), vice-presidente, Aristides Neves, tesoureiro, José Gigliotti Novais, representante da entidade em Campinas e representando no ato o sr.Salvador Soares; Abelardo Pino, WALTER DE ALMEIDA, como empresário, o Piolin, o pai do palhaço Chuchu, o palhaço Pimentinha. Estiveram ainda presentes as autoridades do legislativo: os vereadores Luis Signorelli, Jamil Gadia, o mais votado de Campinas naquela ocasião,Amerigio Piva, Honório Chiminazzo, Fortunato Gallan, Helio Martini e o prefeito de Campinas José Nicolau Ludgero Maselli (Gegero). Walter foi inclusive tema de Escola de Samba e essa homenagem veio através da Escola de Samba "Unidos do Indaiá", da cidade de Indaiatuba, terra de D.Paulina, esposa do Walter.O patrocínio foi feito pela Prefeitura de Indaiatuba e o grande idealizador e organizador dessa homenagem foi o sr. Antonio da Cunha Penna (O Penna), fotógrafo muito conhecido da cidade, juntamente com seu sócio Silva.A letra e música do samba enredo também foi lavra do Penna.Walter e D.Paulina desfilaram naquele carnaval de 1986 com grande pompa e cantaram felizes aquela letra feita em sua homenagem, e que aqui estampamos procurando relembrar aqueles momentos de rara felicidade.Naquela ocasião, Rosely filha do Fredô e da Nha Tica, substituiu sua mãe, já falecida.
" He,He,He, meu povo amigo; Boa
Noite! Até Amanha!...Se sonhares comigo, são meus desejos, És minhas fãs!"
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