ASPECTOS HISTÓRICOS, NOTAS E COMENTÁRIOS
(Este subtítulo do Archivo Nobiliarchico Brasileiro foi criado a partir da colaboração importantíssima de Paulo Marcelo Rezutti)
Paulo Marcelo Rezzuti, 30 anos,é Arquiteto e Urbanista. Estudioso de Heráldica e Genealogia, Membro do Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil. Proprietário do Bazar das Palavras, http://www.bazardaspalavras.com.br o único sebo on line brasileiro com uma seção de livros sobre Heráldica e Genealogia.
O texto abaixo enviado pelo colega acima referido, é um importante comentário histórico sobre os princípios da nobreza e das armas que nortearam a criação de títulos nobiliárquicos no Brasil.Faz jus também ao trazer á memória alguns nomes que se mantinham a margem dos fatos e acontecimentos relacionados nesse aspecto em particular.(nota do autor do site)
"Com o surgimento do Império Brasileiro, surgem também as mercês novas e consequentemente os nossos reis de armas. No Primeiro Reinado vemos aparecer o nome de Felix José da Silva e Antônio Bernardo Peçanha de Castelo Branco, aquele o primeiro "Rei d´armas" e este o primeiro "escrivão da nobreza", ambos vindos com D. João VI.Este primeiro livro da nobreza, desapareceu.
No segundo Reinado vamos encontrar Manuel dos Santos Carramona em 1840, que mais tarde é substituído pelo Barão de Planitx apenas por pouco tempo. Porém o nosso "escrivão da nobreza" mais conhecido foi Luiz Aleixo Boulanger, que chegou ao Brasil por volta de 1828. Com a abdicação em 1831, e por indicação de José Bonifácio, foi nomeado professor de S.M. o Imperador e augustas irmãs, fechando nessa ocasião o seu estabelecimento litográfico, o primeiro que o Rio de Janeiro possuiu.
Mais tarde voltou à sua primitiva atividade. Exerceu o cargo de escrivão da nobreza, como já foi dito acima e também o de "Brasonador da Nobreza e Fidalguia do Império" e assim anunciava nos Almanaques Laemmert da época: "Luiz Aleixo Boulanger, mestre de escrita e geografia da família imperial, familiarizado com os trabalhos heráldicos, encarrega-se de solicitar do governo de S.M. o Imperador, licença para o uso de Brasões de Armas; fazer cartas de nobreza e fidalguia, os desenhos conforme os apelidos ou compor armas novas. Rua dos Barbonos, 69".
Boulanger faleceu no Rio de Janeiro em 1873, completamente cego, sucedendo-lhe seu filho Ernesto Alexio Boulanger."
Extraído da conferência sobre Heráldica dada pela Senhorita Jenny Dreyfus, Conservadora do Museu Histórico Nacional. fonte: Revista Genealógica Brasileira, Ano III, nº 6 - 2º Semestre de 1942.
NOTAS E COMENTÁRIOS
Sobre os Brasões de Titulares do Império
Notas à margem do "Arquivo Nobiliárquico Brasileiro", por Roberto Thut
Retirado da Revista do Instituto Heráldico-Genealógico nº 9, de 1942-1943 pags. 21 a 74
O Presente trabalho, como esclarece seu próprio subtítulo, nada mais é que ligeiras anotações, tomadas à margem de nosso exemplar do "Arquivo Nobiliárquico Brasileiro", dos Barões de Vasconcelos.
Tais anotações foram motivadas, ora por divergências entre a descrição e o desenho do brasão do titular, ora por inobservâncias a preceitos heráldicos na técnica de brasonar ou de desenhar, ora por motivo de enganos de maior ou menos relevância, ora enfim, por omissões e por discrepâncias, com outros autores.
Esperamos que o leitor não veja, neste trabalho, simples prazer de criticar; pelo contrário. Nosso objetivo é o de ressaltar o valor dessa obra grandiosa dos Barões de Vasconcelos. Estes, aliás, no seu prefácio, não escondem as dificuldades inúmeras encontradas para execução do seu notável nobiliário brasileiro, que foi elaborado, época em que o cultivo da Heráldica estava relegado a um meio muito estreito e quase nulo no Brasil. Mesmo da parte de pessoas ligadas ao assunto, os infatigáveis autores do "Arquivo" encontraram indiferença, pois nem ao menos se prestaram a fornecer-lhes os dados necessários.
Diante desse fatos, narrados pelos autores do "Arquivo", não será de se estranhar que, principalmente na parte heráldica, topemos com erros, enganos e omissões, aliás não devidos somente aos autores do nobiliário, mas aos próprios registros do Cartório da Nobreza do Império.
Isto porque, em grande parte das vezes, a descrição das armas dos titulares do Império foi copiada do respectivo registro do Cartório da Nobreza, cujo escrivão da época dos registros conhecidos, Luiz Aleixo Boulanger, é apreciado por Américo Jacobina Lacombe, em "Nobreza Brasileira", como "excelente calígrafo e desenhista, mas medíocre heraldista" que "não primava pelo método e nem pelo rigor". De nossa parte podemos acrescentar que Luiz Aleixo Boulanger só deixava de ser "medíocre heraldista", quando copiava a "Nobiliarquia Portuguesa", de Vilas Boas e Sampaio, mas essa obra, já na época, era coisa velha, pois a sua 1º Edição data de 1676. Quem se der ao trabalho de cotejar os registros do Cartório da Nobreza com a citada obra de Vilas Boas, verificará a verdade dessa nossa afirmativa.
Dai a ração pela qual, nos casos de armas registrada, não caber culpa alguma aos Barões de Vasconcelos pelos erros no "Arquivo".
Apontando imperfeições, não temos, de nossa parte, a pretensão de tornar perfeita a obra dos Barões de Vasconcelos e nem nosso trabalho constitui fruto de estudos aprofundados. Apenas comentamos aquilo que nos ocorre dizer como despretensiosas observações que, à guisa de preliminares para trabalhos mais desenvolvidos, talvez sirvam para se evitarem erros flagrantes, perfeitamente justificáveis de serem endossados por modernos compiladores que, desconhecidos da Heráldica, não deviam se abalançar a uma iniciativa de tal monta, pois, mesmo para compilar um assunto, é necessário conhecê-lo com segurança. Por isso, é possível que um mérito ainda se encontre nestas despretencsosas notas, qual seja o de dar um paradeiro a erros que vão sendo transmitidos sucessivamente, por descuido, por comodismo ou mesmo por ignorância.
Numa das sessões do "Instituto Heráldico-Genealógico", o Sr. Dr. Newton Carneiro teve a feliz iniciativa de propor que aquela entidade se interessasse por uma revisão do "Arquivo Nobiliárquico Brasileiro", corrigindo erros, sanando falhas e acrescentando omissões. Dando início a esse empreendimento, podemos considerar o presente trabalho como sendo a nossa contribuição, na parte heráldica, ao que foi proposto pelo Dr. Newton Carneiro.
Tal é o objetivo por nós delineado e, para encerrar este pequeno antelóquio, solicitamos a todos que se dedicam ao assunto deste trabalho enviem à "Revista do Instituto Heráldico-Genealógico" suas observações e mesmo apontando enganos que, de nossa parte, também tenhamos porventura cometido.
As devidas adendas e correções poderão ser acompanhadas em cada título específico reportando-se a opção de "A a Z" , do Nobiliário ou clicando aqui.
Sobre reproduções de retratos e estatuaria dos Titulares do Império
Pedro Auler <pauler@uol.com.br> escreveu:
Em Acréscimos e Retificações ao 'Arquivo
Nobiliárquico'", Coronel Laurênio Lago,
in "Anuário do Museu Imperial", vol. XV,
Petrópolis, 1954, existem reproduções de retratos e estatuaria de:
Firmo José de Matos, Barão de Casalvasco
(Tela de Cantu, Turim, 1883, existente no MUSEU
IMPERIAL.)
Doação do Sr. Euclides Matos de Barros
D. Francisca Rosa de Morais, Baronesa de
Casalvasco
(Tela de A. Petit, 1894, existente no MUSEU IMPERIAL)
Doação do Sr. Euclides Matos de Barros
Luís Alves de Lima, Duque de Caxias
(Tela de Joaquim da Rocha Fragoso, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Gastão Luís Henrique Roberto d'Escragnolle, Barão de
Escragnolle
(Crayon de Batista da Costa, 1893, existente no MUSEU
IMPERIAL.)
Doação do Sr. Luís Afonso d'Escragnolle.
Dr. Francisco Acácio Correia, Barão de Guamá
(Tela de E. Viancin, Paris, 1875, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Doação do Sr. Flávio Correia Guamá.
D. Inês Chermont de Miranda Correia, Baronesa de Guamá
(Tela de E. Viancin, Paris, 1875, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Doação do Sr. Flávio Correia Guamá
Peregrino José de Américo Pinheiro, Visconde de
Ipiabas
(Tela de E. Rolin, 1882, existente no MUSEU IMPERIAL.)
Doação da Exma. Sra. D. Maria Werneck.
D. Ana Joaquina de São José Werneck, Viscondessa de
Ipiabas
(Tela de E. Rolin, 1882, existente no MUSEU IMPERIAL)
Doação da Exma. Sra. D. Maria Werneck
Francisco Pinheiro de Sousa Werneck, 2º Barão de
Ipiabas
(Tela de Pedro Américo, existente no MUSEU IMPERIAL)
Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês de Parná
(Esculpido segundo modelo de José Honorato de Lima, em
1856.)
Depositado no MUSEU IMPERIAL pelo seu descendente Dr.
H. C. Leão Teixeira
Filho.
D. Maria Henriqueta Neto Carneiro Leão, Marquesa de
Paraná
(Desenho a carvão de H. Cain)
Depositado no MUSEU IMPERIAL pelo seu descendente Dr.
H. C. Leão Teixeira
Filho.
Antônio Tomás Quartim, Barão de Quartim
(Tela de Papf, 1883, existente no MUSEU IMPERIAL.)
Domingos Custódio Guimarães, Barão do Rio Preto
(Tela de E. Viancin, 1869, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Doação da Exma. Sra. D. Leonor de Azevedo
D. Maria Antônia Soares Quartim, Baronesa de Quartim
(Tela de Papf, 1883, existente no MUSEU IMPERIAL)
José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco
(Tela de Sousa Lobo e Nascimento, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Pedro Dias Pais Leme, Marquês de S. João Marcos
(Mármore de Pettrich, 1850, existente no MUSEU
IMPERIAL)
Doação das Exmas. Sras. D.D. Lúcia de Monlevade
Tomanick e Mariana Vergueiro
César.
D. Valéria Tourner Vogeler, Viscondessa de Sinimbu
(Tela sem assinatura existente no MUSEU IMPERIAL)
Doação do Sr. Paulo Simões da Rocha.
D. Ana Alexandrina Teixeira Leite, Baronesa de
Vassouras
(Tela existente no MUSEU IMPERIAL)
Doação da Exma. Sra. D. Margarida Teixeira-Leite
Penido.
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Pedro Auler
Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ
Áreas de interesse: Famílias germânicas de Petrópolis
(inclusive Auler);
família Meira de Vasconcellos (Paraíba/Pernambuco).