FAZENDA PARAISO, a JÓIA de RIO DAS FLORES, RJ,

Uma trama familiar no 2o Reinado do
Brasil Imperial
Autor:
Anibal de Almeida Fernandes, Fevereiro, 2007.
Esta
fazenda Paraíso pertencia a João
Pedro Maynard, freqüentador da Corte Real e companheiro das farras dos príncipes,
Miguel e seu irmão Pedro este, futuro Imperador do Brasil e, ambos, futuros
reis de Portugal.
Domingos Custódio Guimarães, 1o
Barão a 6/12/1854 e Visconde de Rio Preto a 14/3/1867, ao desfazer a sociedade comercial Mesquita&Guimarães, para
transporte de carne mineira para abastecer à Corte e cidade do Rio de Janeiro,
de seu sócio o banqueiro, que era íntimo de Pedro I, José Francisco de
Mesquita, 1790-1873, (Barão em 1841, Visconde
em 1854, Conde em 1866 e Marquês de Bonfim em 1872), Domingos
Custódio estava riquíssimo e resolveu empregar o seu dinheiro em um negócio
agrário que estava começando a chamar a atenção dos ricos empreendedores da
época: a cultura cafeeira que dava menos
despesa que a cana de açúcar.
O futuro
Barão/Visconde do Rio Preto incumbe o seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães,
de comprar terras na região fluminense, próximas à Corte. Ele compra em
Minas: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante e São Bento e no Rio: a Loanda e Paraíso,
que pertenciam a João Pedro Maynard, acima citado, e mais: Criméia, São
Leandro, Sta. Tereza, São Policarpo, Sta. Bárbara, União, Sta. Genoveva,
Mundo Novo. Essas 14 fazendas produziam
60.000 arrobas de café por ano, o que dava uma renda anual ao Visconde de US$
1.227.000 (considerando-se
a saca de 60 kg. sendo vendida a R$ 180,00 e o US$ valendo R$ 2,20), ou
seja, uma verdadeira fortuna para o custo de vida da época !!.
Uma descrição da Fazenda Paraíso:
O
percurso histórico da propriedade, do início do séc. XVIII até os dias de
hoje, forma uma trama familiar que une várias famílias das províncias de
Minas e Rio numa teia de parentescos consangüíneos e contra parentescos, como
vemos nos fatos relatados a seguir:
1o)
Joaquim Custódio Guimarães, comprou a Paraíso
por indicação do Capitão Domingos Antonio Ribeiro do Valle que é
filho de João Ribeiro do Valle que é irmão de Felisberto Ribeiro do
Valle, meu 6o avô, ambos filhos
de Antonio Ribeiro do Valle, todos de São João d’El Rei, MG. Esse Joaquim
Custódio Guimarães, sobrinho do Visconde, vem a se casar com uma filha de Domingos
Antonio Ribeiro do Valle. Temos cá,
a união do sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto com o sangue Ribeiro do
Valle. Nota: a 2a mulher do
Visconde do Rio Preto, Maria das Dores de Carvalho, fal. a 12/1/1873, é
filha de Joaquim Inácio de Carvalho e Cândida Umbelina, é neta de
Ana Maria e João Pereira de Carvalho, é bisneta de Diogo Garcia e de
Julia Maria da Caridade uma das 3 Ilhoas de Minas Gerais e que era afilhada de
batismo de Antonia da Graça, (outra das 3 Ilhoas) que é minha 7ª
avó. Não há parentesco com o Carvalho do 1º Barão de Cajurú.
2o)
João Gualberto de Carvalho, foi 1o Barão de Cajurú a 30/6/1860
tendo como recomendação, dentre outros, do então, Visconde de Bonfim,
José Francisco de Mesquita. O 1o Barão de Cajurú, meu
4o avô, é casado com Ana Inácia, filha de Inácio
Ribeiro do Valle. Este Inácio é filho do Felisberto e é sobrinho do João
Ribeiro do Valle, ou seja, o pai da mulher do 1o Barão de
Cajurú é primo irmão do Domingos Antonio Ribeiro do Valle cuja filha se
casou com o sobrinho comprador de fazendas do Visconde do Rio Preto. Temos
cá, o contraparentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô, 1o
Barão de Cajurú, com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto e o
parentesco do sangue Ribeiro do Valle com o sangue Guimarães do Visconde do Rio
Preto e, também, a ligação social entre o Marquês de Bonfim e o 1o
Barão de Cajurú.
3o)
Com a morte do Visconde do Rio Preto, a 7/7/1868, no meio da magnífica festa
que dava na Paraíso para comemorar a inauguração do ramal Paraibuna-Porto das
Flores da estrada de ferro, deixando uma fortuna de 4.000 contos de réis,
equivalentes a 3.600 kg. de ouro na época, (considerando a gr. de ouro a R$
40,00 temos R$ 144 milhões), a fazenda vai para seu filho Domingos, 2o
Barão de Rio Preto que, ao morrer em 1876, deixa a Paraíso para seu filho, também Domingos (Dominguinhos), que é
casado com uma filha de Manoel Vieira Machado da Cunha, Barão d’Aliança,
que comprou a Paraíso do genro em 1895.
Este Barão d’Aliança é sobrinho de José Vieira Machado da Cunha, 1o
Barão do Rio das Flores, que, por sua vez, é bisneto do casal Antonio da Cunha
Carvalho e Bernarda Dutra da Silveira que são meus 6º
avós. O 1º Barão Rio das Flores é casado com Maria Salomé que
é irmã do meu bisavô João Antonio de Avellar e Almeida e Silva que é
casado com Ana Margarida que é neta-paterna do 1o Barão de Cajurú
e de Manoel Rufino de Arantes, meus 4os avós.
Temos cá, o parentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô,
1o Barão de Cajurú e o sangue Avellar e Almeida do meu 4o
avô Manoel de Avellar e Almeida, com o sangue Guimarães do Visconde.
4o)
Em 1912, a
Paraíso é vendida pelo Barão d’Aliança ao major Galileu Belfort de
Arantes que é sobrinho do Visconde de Arantes e é neto de Antonio
Belfort de Arantes, 1o Barão de Cabo Verde (quem, por sua vez,
é sobrinho de Manoel Rufino de Arantes, meu 4o
avô, e de sua mulher Ana Joaquina
de Carvalho que é irmã de João Gualberto de Carvalho, 1o
Barão de Cajurú). A mulher do 1o Barão de Cabo Verde é Maria
Custódia Ribeiro do Valle, que é irmã de Ana Inácia Ribeiro do Valle,
casada com, João Gualberto de Carvalho, 1os Barões de Cajurú. O
Visconde de Arantes é casado com uma filha dos 1os Barões de Cajurú,
sua prima-irmã o que os torna meus tios-trisavôs.
Temos cá, o grand finale desta secular teia/trama familiar construída desde o 1o
quartel do século XIX, com a junção do sangue Guimarães, do sangue Carvalho,
do sangue Ribeiro do Valle, do sangue Avellar e Almeida e do
sangue Arantes, através de trinetos do 1o Barão de Cabo
Verde (que é meu tio-tetravô), que são os atuais proprietários da fazenda
Paraíso, agora de gado leiteiro e não mais de café
que foi o grande articulista social/financeiro desta fazenda cuja casa
solarenga, imponente, elegante e requintada, é considerada por Esgragnolle
Taunay e o Conde d’Eu como:
o
mais belo palacete rural brasileiro, a Rainha das Fazendas.
A Família Arantes,
Américo Arantes Pereira, Legis Summa, Ribeirão Preto, 1993.
A Família Ribeiro do Valle, José Ribeiro
do Valle, pgs: 12 e 57.
Anuário Genealógico Brasileiro Ano I, II, III,
IV, VI, VII e IX.
Revista Genealógica Latina, Vol. XII,
1960.
Fazendas,
Editora Nova Fronteira, Memória Brasileira, 1995.
Marcos Vieira da Cunha, meu primo, fonte primária.
www.jbcultura.com.br, Coluna de Anibal de Almeida Fernandes.
Flávio Mário de Carvalho Jr., forneceu inventário
de Cândida Umbelina tirado do site Compartilhar
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