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Plenitude e Recomeço
CANÇÕES SILENTES
Eis que das mais saudosas lembranças
Vem-me à memória amplos horizontes
E naquelas paragens de outrora
Interrompemos nossas andanças.
Sem compromisso, ali nos cansamos
E nossos beijos falavam inconseqüentes,
Para que nossos ouvidos silenciassem
Os nossos sentimentos inocentes.
Quase nem percebíamos o tempo
E o vento roçar nossa face,
Quase nem pressentíamos os sons
Dos passos dos transeuntes
Assim se esboçava nossa dança
E nossas maravilhosas canções
Assim expressávamos o nosso amor
E nossos desejos e emoções.
DORME NENEN...
Onde está o berço que me abrigava
No calor dos afagos e carinhos?
Onde está o abrigo desse ninho
Que o tempo ha muito consumiu?
Onde estão as mãos que embalavam
Meu sono e me protegiam?
Por onde cantam os embalos e canções
E saudades entristecidas?
Só sei que ainda me lembro
Das antigas cantigas de infância
,E dessas saudosas distâncias
Ainda me lembro! Ainda me lembro!
Quando a cuca vinha pegar
Veludosas vozes velavam
Meus cantinhos secretos
E me punham para dormir
E assim nessa dolência
"Dorme nenen, que a cuca vem pegar.
Mamãe foi na roça, papai no "cafezá"
Os anjos habitavam minha inocência.
MOMENTOS PASSADOS
Folhas que se espalharam ao vento,
Cantigas nunca mais ouvidas,
Ficaram no tempo já esquecidas,
Perpetuaram apenas um momento.
São nessas orquestradas saudades
Que procuro em vão revivê-las.
Ouso ouvir de longínquas estrelas
Os perdidos sons das eternidades.
Nesses cansados pensamentos,
Ouço ainda o brincar de pega-pega,
De rodopiar pião e de da cabra cega...
Nessa batalha ninguém se entrega.
Mas nada mais restam, nem alentos.
A não ser os desejos e os passos lentos.
NAMORO ETERNO
Amores sem limites, eivado, de paixões
Foram momentos que se foram.
Estão na lembrança das emoções
Tais saudades agora só se exploram,
E estão nas entrelinhas do aconchego
E das esperanças mais distantes.
Foram-se enoveladas pela presença
De corpos, e pelos sussurros noctívagos,
Estiveram presente nos momentos
Maiores de nossas crenças,
Habitaram em nos com leveza artesanal
E pernoitaram em mil eventos.
Hoje nem disso mais se precisa.
Basta o clamor dos acordes e canções,
Bastam os compassos de corações,
Sublimando coisas tão reais.
Resta o puro amor que não se ausenta
E que em nossas almas, eterniza seus sinais.
PENSAMENTOS E SACRÁRIOS
Tão distantes voam os pensamentos
Para alcançar o rumo da saudade
Mas sem prazo certo para chegar
emaranham-se nos momentos.
Velozmente pairam no infinito,
Sufocando angústias e ansiedades
Na própria causa de seu grito.
Vertem plasmas em veias quentes
Corrompem tudo pela frente
Saciam o poder de seus receios
E mitigam a sede de inocentes
Tão lá, mas tão cá também,
Vicejam dores e compaixões.
Perdoam e se arrependem
E por sobre todas as emoções
Perfilam-se como todo alguém
Que na penumbra de seus desvarios
São impuros, mas são sacrários
São do mal e também do bem
Como são da natureza
Todos seres desse aquém.
Saudade do Antes
Na onda do recomeço,
Tudo se repete no alvoroço.
Do caos, emerge o escuro
E a luz surge desse esboço.
Quase sem perceber, flutuamos
Pelos vórtices do tempo.
Plainamos sobre a vida,
Até a exatidão do momento.
Dessa cósmica arquitetura,
Forças do ponto e da reta,
Povoam o universo de axiomas
E direciona nossa seta.
Nesse nobre enternecimento,
Onde, criação e sepultura,
São os mesmos princípios
Da morte e do nascimento.
SAMBA, SAMBA CONGADA, SAMBA...
Samba, samba olê lê
Samba, samba olá la´
No tempo da libertação
Desde o primeiro dia 13 de maio
Como si fosse um ensaio,
Muito se rezô e muito se dançô
Os concadô faziam revorteio
E na quentura das fogueira
Até São Binidito também cantô
Do arto do mastro e da bandeira
Abençoava a festança...
E samba, samba, olá, lá.
E samba, samba olé lê
Nesse toque do tambor
Os negro todo se requebrô
Tum, tu dum; Tum tu dum
Os rastapé e os estalo das espada
Alevantava poeira junto com as cantoria.
E até a madrugada seguia
Com muito quentão, pinga e barúio.
Até os rojão e o sino da capelinha
Saudavam a liberdade e a alegria.
Viva São Beneditooooo!!!
Vivaaaaaaa!