SOL E PENUMBRA
O SOL E A PENUMBRA
São partes do mesmo caos
A vida e a morte
São partes do mesmo mal
São coisas do ser
São coisas do ter
São cacos de vidraças
São açoites de mentes
.São miríades de espelhos
E todas as sementes
São passos tão velhos
Que sem deixar traços
Se vão e viram laços
,E se ausentam nas fumaças
.Vida ó Vida porque te quero!
Morte ó morte porque te espero!
Nas encruzilhadas do vento
Sinto os pássaros e o ar frio,
Sinto o vento da noite
E têmporas que retumbam,
Em ritmo agônico e lento.
SOMANDO AMOR
Poucos sabem dos grandes sentimentos,
Das saudades, das emoções e das esperanças.
Quantos nada entendem das músicas celestiais,
Das lágrimas doloridas das distâncias.
Estar junto não é apenas um ato físico
Ou o prazer das quimeras sensualidades
É muito mais! É a unidade gemelar
De almas irmãs em mil felicidades
.Passos e evolução em totais experiências
,Aproximam-nos das canduras da presença.
E bem juntos no princípio das canções
Ensinam-nos as verdadeiras paixões
.Assim
, onde cada par é apenas umDescobrimos que no auge de nossa dor
Pouco é melhor do que nenhum
Quando somamos tudo com amor
TÊMPORAS EM EXPLOSÃO
Meio amor, é meia verdade,
Nem o cheio é vazio
.Das sequelas das feridas
,Os passos são inertes
.Não permeiam os espaços
,Nem temem a fatalidade.
Quase pisei numa borboleta
Que cansava suas asas no chão
.Inventei uma pausa
Para marulhar a emoção
.Restaurei asas inertes
Bem dentro de minha calma
.Nas profundezas do coração
Tive sonhos e sensações.
Dos universos explodindo
,As têmporas viraram angústias
.Gritaram as depressões e ansiedades
E renasceram vozes de canções.
"TUM DE DUM"
E ele está vindo... E vai passando,
Qual mágico dos sentidos
Fantasiado em multicores
São desses blocos e algazarras
Que escorrem as alegorias.
"Tum de dum", "Tum de dum";
Ritmado tambores e cuícas
Pernoites de fantasias
."Tum de dum", "Tum de dum";
E nesse passar de ir e vir
,Também nossos passos e alegrias
"Sambarilham" em êxtases feéricos
,Cantando nos pés as marchinhas
De inúmeros carnavais
.Antigos maxixes, samba de breque
Samba brejeiro, sincopado, samba canção
Samba de bossa, samba rural e urbano
Dançarinos de salamaleque.
Umbigada "negriforme"
Casta de origem afro
De negritude amulatada
"Tum de dum;" "Tum de dum"
La vai o bloco. Lá vai mais um;
"Tum de dum;" "Tum de dum"
,La vai o bloco. Lá vai mais um
Tum
... de... Dum...E lá se foi o bloco
Passistas cansados, pés doendo
Nada a lamentar
,Apenas entendendo
Que o próximo irá recomeçar
Final de trajeto,
Batuques ainda inquietos
Deixam doses de saudade
,E vão deixando ao longe
Inaudíveis sonoridades.
Como num cortejo de sinais.
Ao longe vemos das marchas
,Dos sambas e dos batuques
,Os serpenteios terminais:
Os ruídos saem moles das caixas.
Tu de Dum, Tum de Dum!
Esse ritmo vai passando,
E junto também passamos.
Ah! Que saudade de mais um
Tum de Dum, Tum de Dum!
AÇOITES E LIBERDADE
Triste lamento.
Era tanto o desencanto
,Que se esperava tanto
,Para acabar tal tormento.
Não se cansava
Das mãos e nem dos pés
.Tudo era dor e revés
,Tudo, tudo latejava!
Assim se consumia
Acasos e sofrimentos
.Foram esses os momentos
Que nossa memória lia
.Agora isso é saudade:
Tudo feriu com açoite,
Mas agora já é noite,
Estou livre na eternidade!
AMBOS
Envolta em sedas, sedava
.Tal mulher sedava os sentidos
E na quietude das noites,
Nas sedas se envolvia e se dava:
Paraíso ambulante de luxúria
O prazer arfava o peito
E não tinha jeito. Sedava,
Qual inebriante virtuose.
Escarnecia dos homens
E se deleitava e se embalava,
Vitimada pelos desejos.
Não desperdiçava seus beijos,
Consumia-os em pecados virtuais.
E o ser macho fecundo
Era apenas um jamais.
Sedava a si própria, sem prostituir-se.
Caminhava solta, esbelta.
E na névoa de seus perfumes
Era solitária unilateral
E das sedas, todas sedas,
Que se dava, sedava todas
E se morria de ciúmes.
Tal mulher era fecunda,
E sedava, e sedava...
Era partenogeneticamente
Assexuada e bilateral.
Era a primitiva mãe dos tempos.
Era para todos os momentos,
Apenas bi direcionados
Hermafroditas.
CAMINHOS DO PARAÍSO
Espaços e divisas
São canções e horizontes
.As mansões da alma
São fontes puras de pensamentos
.Quanto mais somos o infinito
,Mais encantamos o paraíso
.Quanto mais pirilampos
Brilham em nossa noite
,Mais sorrimos na plenitude.
No rumo do paraíso
Somos látegos sem açoite
,Somos estrelas nas entrelinhas
,Somos luzidios cristais
Que nas cores do arco-Íris
São névoas e matizes
São orgasmos juvenis
.Assim, somos dessas fontes
Todos os caminhos e horizontes
CANÇÕES SILENTES
Eis que das mais saudosas lembranças
Vem-me à memória amplos horizontes
E naquelas paragens de outrora
Interrompemos nossas andanças
.Sem compromisso
, ali nos cansamosE nossos beijos falavam inconseqüentes,
Para que nossos ouvidos silenciassem
Os nossos sentimentos inocentes.
Quase nem percebíamos o tempo
E o vento roçar nossa face
,Quase nem pressentíamos os sons
Dos passos dos transeuntes
Assim se esboçava nossa dança
E nossas maravilhosas canções
Assim expressávamos o nosso amor
E nossos desejos e emoções.
CHAMA DO NADA
Nada é tudo
Quando se nada tem
Mas na vã procura da alma
O encontro está além
.Na vida que não existe,
O mistério espreita.
A saudade do vazio,
Preenche o silêncio.
O pranto flui
Da dor sem lamento
E nesse alvo berço
Há pureza e nascimento.
Assim, através de versos
Cansando passos
Vamos de alma em alma
Buscando universos.
Mistério, doce mistério!
Quanto daí tudo emana!
Ó impetuosa chama!
És tudo do nosso nada!
CRISTAIS DE TODOS
Sei dos sermões e dos senões
.Cada qual com cada igual
.Muitas canções ambivalentes
,São valentes
, não são canções.Pedaços de caos escassos
Percalços que se detém:
São nada que vão e que vem
,São maços de almaços textuais
.Sei dos padrões dos alcorões
,Sei das cavernas e dos que tais
,Mas dos regaços e dos seus braços
As mídias são apenas virtuais
.Acanhados prantos de acalanto
,Ninares infantis que se aninham
E se enovelam nos universos
Porque, todos de todos, são cristais.
C
RISTAIS E FANTASIAS
Saudades de tantas coisas
.Esperança de tantas outras:
De caminhos que vão e que vem
,De passos de ida e dos que partem
,De vôos cegos virtuais
.De tudo e das coisas todas
,Dos brilhos dos cristais
Esqueço dos semblantes tristes
,Prantos e sonhos sem sonos
.Já nem sei o que todos são
,Já nem sei o que são todos
.Só me lembro das fantasias
E das noctívagas noites
.Sem açoites e das alegrias.
DEVAS ESTELARES
La longe
Bem longe
As figuras se confundem.
Eis que em cima
Bem no topo do mundo,
Vislumbra um anjo monge
Qual prócer "persona" ali solitária
Reflete sobre a paz de tudo
.Que de tão nobre se estrutura
Seu pensamento visionário,
Tão objetivo, solene e tão mudo
.São desses berçários
E desses nascedouros
,Que habitam o desconhecido
.São
, assim, devas estelaresQue prosperam nossos caminhos
E apontam-nos horizontes
.
DOCE ENCONTRO
Deixa eu me encontrar pra te ver
Um pouquinho apenas. Não quero forçar nada
.Mas essa vontade danada. Sentida à duras penas
Apenas quer um tempinho com você
.A sós assim, tão pertinho. Cheio de carinho pra dar
Fica comigo, bem juntinho. Mesmo que seja uma vez
Não pense no talvez. E também no calar.
Deixe-me ser seu jardim
. Não pergunte o porquêDiga somente que sim. Diga para mim:
Sussurrando quase calada. Que sai comigo enfim.
Dê-me a esperança. Para te dar uma linda rosa
,E achar um lugar para ficar
...Dê-me um momento,Para sufocar esse tormento
...
DORME NENÊ...
Onde está o berço que me abrigava
No calor dos afagos e carinhos?
Onde está o abrigo desse ninho
Que o tempo ha muito consumiu?
Onde estão as mãos que embalavam
Meu sono e me protegiam?
Por onde cantam os embalos e canções
E saudades entristecidas?
Só sei que ainda me lembro
Das antigas cantigas de infância
,E dessas saudosas distâncias
Ainda me lembro! Ainda me lembro!
Quando a cuca vinha pegar
Veludosas vozes velavam
Meus cantinhos secretos
E me punham para dormir
E assim nessa dolência
"Dorme nenê que a cuca vem pegar.
Mamãe foi na roça, papai no "cafezá"
Os anjos habitavam minha inocência
.
ECO DE ESPERA
Na dúvida, divida.
Na vida, viva
.Na dívida devida,
Divida a dívida.
Divida a vida
E duvide da dívida.
Quem dos primeiros
Há de ser o último?
Quem não teme pelo oposto?
E quem pela mesmice
Caminha em círculos?
Quem nem nunca
E também nem sempre
,Acertou na mira do relógio
O próprio tempo?
É o eco que espera
,Por isso repita-se e caminhe.
E continue na trilha...
Na vida, duvide
.E na dúvida
, divida.Confia na dúvida
E no sempre da vida.
Mate o nunca na dúvida
.Divida a vida sempre
,Porque o tempo é nunca
E o alvo é o momento!
Deste lado do reflexo
,Está o retorno da ida
,Esperando outra vida
,Por outra vida esperando
.FUMAÇAS MORTAS
E as árvores caíram
No meio da imensidão
E estão todas no chão.
Os pássaros gorjeiam
Afônicos e se arrastam no vôo.
E se desnorteiam
,Nas divisas do amanhecer
.Os animais sedentos
,Emagrecidos sem rumo
,Perambulam pelos campos.
Morrem seus rebentos
,Nas curvas dos momentos.
São fumaças esmaecidas
Que sucumbem ao próprio alento
.A! Os homens... Esses homens,
São apenas nomes, são apenas homens!
E em desuso jazem. Nada fazem.
ANIVERSÁRIO DE ITAPIRA
Hoje a data é de festa
.O grande salão se engalana
E transcende a própria história
.Eis que no tanger da lira
,Nasceu a nossa linda Itapira
.Não se poupou esforços
Para o esparramo dos alqueires
.E nessas recônditas sesmarias
,Terras virgens, pétreas e brutas
Conflitaram nossas lutas
.Nesse pátio da descendência
,Onde a plenitude da grandeza
,Se fez presente em crescimento
,Vislumbramos algo de tão puro
De maior pujança e de futuro.
MOMENTOS PASSADOS
Folhas que se espalharam ao vento
,Cantigas nunca mais ouvidas
,Ficaram no tempo já esquecidas
,Perpetuaram apenas um momento
.São nessas orquestradas saudades
Que procuro em vão revivê-las
.Ouso ouvir de longínquas estrelas
Os perdidos sons das eternidades
.Nesses cansados pensamentos
,Ouço ainda o brincar de pega-pega,
De rodopiar pião e de da cabra cega...
Nessa batalha ninguém se entrega
.Mas nada mais restam, nem alentos
.A não ser os desejos e os passos lentos.
MULHER
No princípio eu
era a Eva,
Criada para a felicidade de Adão.
Mais tarde fui Maria,
Dando à luz aquele
Que traria a salvação.
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia,
A mulher de verdade.
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade,
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade,
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha,
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção....
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!
NAMORINHO DO ARRAIÁ
O balão está subindo
E a festança começando.
Vamos pular a fogueira,
Vamos dançar a noite inteira.
E lá vem quentão e pipoca
Junto com amendoim.
Minha querida namorada
Deixa eu te dar uma beijoca
E dá uma "bitoca" em mim.
O rojão subiu também
E juntinho com o balão,
Fizeram um fogaréu no céu,
Prá iluminar nosso coração.
Vem minha amada, vem...
Não vamo arrepetí
A história dos padroeiro.
Lembra?
"Com a filha de João
Antonio ia se casá
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar."
Vamos aproveitar a brincadeira
Prá mode nóis se casá,
Enrolada na bandeira
E pedir pro padre abençoá.
NAMORO ETERNO
Amores sem limites, eivado, de paixões
Foram momentos que se foram.
Estão na lembrança das emoções
Tais saudades agora só se exploram,
E estão nas entrelinhas do aconchego
E das esperanças mais distantes.
Foram-se enoveladas pela presença
De corpos
, e pelos sussurros noctívagos,Estiveram presente nos momentos
Maiores de nossas crenças,
Habitaram em nos com leveza artesanal
E pernoitaram em mil eventos
.Hoje nem disso mais se precisa
.Basta o clamor dos acordes e canções
,Bastam os compassos de corações
,Sublimando coisas tão reais.
Resta o puro amor que não se ausenta
E que em nossas almas, eterniza seus sinais.
O LUTO DA HISTÓRIA
(In memoriam)
A história nos conta do passado
A alma nos conta da vida.
Quem terá os mandados
E as leis do universo?
Quem será que do verso
Pode antecipar a partida?
Histórias e tantas mais histórias
Transformam em alma
Tudo o que se escreve, se diz e se ouve.
Quando o contador se vai
,Fica um vazio tão grande
,Que não se preenche mais
.Nem ousamos entender
Tanta verve e tanto saber
,Apenas compreender
Que das certezas de Jacomo
Tudo foi perfeito em seu Mandatto!
Tudo emanou de seu pensamento
Tudo foi maestria em seu momento.
..
PASSOS DAS EMOÇÕES
As emoções são pétalas da alma
,Navegando por mares desconhecidos;
São pedaços de nós embevecidos
,Com rudeza e também com calma
.São das ondas do pensamento
,Ensaios e experiências do cotidiano;
São frágeis canções de desengano
,São lágrimas fluídas de mil momentos
.São ventos
, ventanias e desencontros,Às vezes em rebeldes insolvências
,Às vezes em plácidas indulgências
.Quero ter todas dessas plangências
,Sentindo em mim todos os confrontos
,E todos os passos em espaços prontos.
PENSAMENTOS E SACRÁRIOS
Tão distantes voam os pensamentos
Para alcançar o rumo da saudade
Mas sem prazo certo para chegar
emaranham-se nos momentos.
Velozmente pairam no infinito
,Sufocando angústias e ansiedades
Na própria causa de seu grito.
Vertem plasmas em veias quentes
Corrompem tudo pela frente
Saciam o poder de seus receios
E mitigam a sede de inocentes
Tão lá, mas tão cá também,
Vicejam dores e compaixões.
Perdoam e se arrependem
E por sobre todas as emoções
Perfilam-se como todo alguém
Que na penumbra de seus desvarios
São impuros, mas são sacrários
São do mal e também do bem
Como são da natureza
Todos seres desse aquém
PERFUMES DAS EMOÇÕES
Essências de invulgar pureza,
Essenciais espalhadas pelo ar
São odores da natureza
Perfeitas para se inalar
.Esses cheiros e odores
Trazem saudades e momentos,
E inigualáveis trazem a brisa
,O luar, o vento e a canção.
São poemas e cantigas
Que invadem o coração
.Nossos pensamentos
Transmutam-se nessas essências
E nos reportam às intenções
.Nosso tempo se reduz
,E se acelera nos perfumes.
c
ongela nossos ciúmesE nos transorta para a luz,
Sufoca nossos temores
E aflora nossas emoções
.São minhas essências essenciais.
Que por você morrem de amores.
RECOMEÇOS
Estou aqui, você está aí.
Estamos todos vivos
Para outro Ano Novo.
No ano que vem,
Nesse vai e vem,
Iremos brincar de novo.
Sempre alguém ficará de fora,
Alguém deixará saudade,
Alguém irá embora.
Mas a vida continua
E cantaremos o novo porvir:
Paz no mundo e muito amor
Porque algo está por vir.
Novos tempos estão à porta,
Com novos rumos.
É isso o que importa!
O planeta tomará seus prumos
A consciência estará aberta.
Feliz ano novo,
Para toda a humanidade!
Que os destinos se entrelacem
E a harmonia crie soluções,
Porque vencida toda maldade
Um novo ser emergirá da alma,
Onde a matéria perderá o valor,
Onde reinaremos em doce calma
A verdadeira canção do amor.
REVOLUÇÃO
Além do tempo
A história tem passos
Que nos transporta
Para a próxima porta
Essa memória percorre espaços
E se embaraça
Qual névoa de fumaça
E nos prende às lembranças
Ribombar de tiros e metralhas
Trincheiras e marchas pesadas
Trilhas do inimigo que se emaranham
Apitos de trens agitados
Feridos e mortos
Hospital que hospeda
Ferida que dilacera
Moribundos já sem sangue
Heróis que se misturam
Aos soldados desconhecidos
Sítios e casas assaltadas
Fugas, correrias e saques
Revolução chorada
E os irmãos desse massacre
Viram entulho
Nesse sangrento Nove de Julho.
RUMOS DE RETORNO
Nessas longas estradas,
Já não há descanso mais
Nem ha pressa no jamais.
Há sim o passo caminhado,
E os esboços de sentimentos
...Poeiras de confusão.
Sidéreas estrelas,
Que me acompanham.
Nem sequer ouso vê-las
Pra não pensar em saudades,
Pra não enxugar suas lágrimas,
E não enclausurar seus momentos.
Estamos sós e nos completamos
Nessa vasta solidão
.Estamos juntinhos com o vento
Vencendo tantos destinos
,Que vencemos o tempo
Nessa longa e cansada estrada
PENSAMENTOS E SACRÁRIOS
Tão distantes voam os pensamentos
Para alcançar o rumo da saudade
Mas sem prazo certo para chegar
se emaranham nos momentos.
Velozmente pairam no infinito
Sufocando angústias e ansiedades
Na própria causa de seu grito.
Vertem plasmas em veias quentes
Corrompem tudo pela frente
Saciam o poder de seus receios
E mitigam a sede de inocentes
Tão lá, mas tão cá também
,Vicejam dores e compaixões
.Perdoam e se arrependem
E por sobre todas as emoções
Perfilam-se como todo alguém
Que na penumbra de seus desvarios
São impuros, mas são sacrários
São do mal e também do bem
Como são da natureza
Todos seres desse aquém
SAMBA, SAMBA CONGADA, SAMBA
Samba, samba olê lê
Samba, samba olá la´
No tempo da libertação
Desde o primeiro dia 13 de maio
Como si fosse um ensaio,
Muito se rezô e muito se dançô
Os concadô faziam revorteio
E na quentura das fogueira
Até São Binidito também cantô
Do arto do mastro e da bandeira
Abençoava a festança...
E samba, samba, olá, lá
.E samba, samba olé lê
Nesse toque do tambor
Os negro todo se requebrô
Tum, tu dum; Tum tu dum
Os rastapé e os estalo das espada
Alevantava poeira junto com as cantoria
.E até a madrugada seguia
Com muito quentão, pinga e barúio
.Até os rojão e o sino da capelinha
Saudavam a liberdade e a alegria.
Viva São Beneditooooo!!!
Vivaaaaaaa!
SAUDADE DO ANTES
Na onda do recomeço
,Tudo se repete no alvoroço
.Do caos
, emerge o escuroE a luz surge desse esboço.
Quase sem perceber
, flutuamosPelos vórtices do tempo
.Plainamos sobre a vida
,Até a exatidão do momento
.Dessa cósmica arquitetura
,Forças do ponto e da reta
,Povoam o universo de axiomas
E direciona nossa seta
.Nesse nobre enternecimento
,Onde, criação e sepultura,
São os mesmos princípios
Da morte e do nascimento.
SILÊNCIO DAS CRUZES
Essa explosão que rompe
Os grilhões da fera
Não escolhe o ritmo da espera
Nem arranha os sentimentos
Essa quase dor que desespera
Também não me dilacera
Nem faz tremer os pensamentos
Jaz na dormida das lápides
E nas cruzes das sepulturas
Não deixa o vislumbre das fantasias
Nem se opõe as serenas alturas
São apenas clausuras
Que se escondem esquecidas
Nos abismos das ruínas
São assim, apenas esmaecidas
Pelos tempos e seus momentos
São vontades que se arrebentam
.
SINCRETISMO DO ESPÍRITO
Meu Senhor! Nosso Senhor!
Senhor de todos
,Senhor de tolos
.Nosso amor pelo Senhor
São queimadas de solos
.Quando prevalecem as intenções
E as esperanças retornam
,Nossos perdões
Arrependimentos e humilhações
,São todos nossos ó Senhor!
São do Senhor e todos nossos!
As intempéries do espírito
São chagas de todos
.As dores são feridas de lodos
E as labaredas são herméticas
.São mistérios enigmáticos
,Como tuas obras sincréticas
.
SÓIS DE RECOMEÇO
Saudade de você
Que naqueles sóis de recomeço
Víamos arco-íris e estrelas nascendo.
Nossos orvalhos nos umedeciam
E nos cansavam de pensamentos.