Intimidades Submersas

 

 

Alvorada de Luz

 

E essa alvorada

De onde vem?

Há uma festa. Por quê?

Novos horizontes vicejam

Rumo a novos eventos

Mas, antes há algo

Com os zeros das virtudes.

É preciso que todas

As intenções se organizem

E a contagem recomece.

Eleva-se a prece:

O perdão e o arrependimento

Deixam de serem peças de museu.

Não há mais coisas para cismar

A Luz nos alcançará

E deveremos reciclar pecados

E buscar abrigo na esperança

Dos caminhos retilíneos

Os abismos serão submersos

No âmago de sua plenitude

E todos os seres fora da sintonia

Se consumirão em suas iniquidades

 

 

DIALOGANDO COM NUVENS

 

Leves plumas de nuvens,

Borboletas cristalinas,

Cansaço de balanços,

Esvoaçantes lantejoulas

De carnavais passados.

Cofres em ritmo de algemas,

Sangramento de sois e vendavais.

Há pouco diálogo entre tudo

Sobre tudo, sobretudo.

Nesses anéis desvinculados

Fantasmas de fumaças,

Pernas bambas e lassas

Claudicam em passos tortos.

Já não há mais cantigas

E os corações estão todos mortos.

Elevam-se rumo ao ir e vir

Leves plumas cristalinas,

 E em nuvens de borboletas

Esvoaçam arco-íris,

Libertando todas as causas

Dos grilhões e das amarras

 

ÍNDIGOS

E virão por certo novos tempos

Apesar de todos os intentos.

Não há mais tempo

Para novos inventos.

Cada um será o seu próprio juiz

E a mentira estará visível

Em todos os semblantes

Em todas as intenções

Não há mais o que se perdoar

Nem porque se arrepender

O tempo disso já passou

Só resta agora a espera

Terrível espera

Da esperança.

Este mundo será dos Índigos

Que reiniciarão novas dialéticas

E reinarão sobre as intempéries

Eles já estão aí e virão agora e sempre

Com as marcas da verdade

No coração e pensamento.

 

 

Nuvens de Cristais

 

Assim que se arrepender,

Assim que perdoar

O amor ali estará.

Logo a vingança

Não terá mais lugar.

Pense e reflita:

Porque a nuvem algodonosa

E os cristais mais embrutecidos,

 Assemelham-se discordantes?

Porque a ferida

Confunde-se com a malha

Que tece cada célula?

 

Dessa íntima divergência

Somos aquilo que pensamos

E nada nos impede

Impedir o que percebe

A nossa própria existência.

Há que se deixar passar

Muitos momentos,

Para que tudo ao mesmo tempo

Não se transforme em lamentos

E nem leve toda a sua força.

 

 

O PRINCÍPIO DO NADA

 

O tempo:

Arcabouço de silêncios;

O vento:

Profusão de movimentos;

O Espaço:

 Distância infinita...

 

Asas de borboletas,

Espectros de sangue,

Pirilampos calados;

Vozes que não sussurram,

Mãos presas,

Olfato que se exangue,

Fantasmas híbridos;

Sóis de plenitude.

 

Ais que se escondem,

Abismos da mente,

Arvoredos alquebrados,

Argumentos insólitos.

É tempo de abandono.

O fim e o nada

É apenas o frio da morte.

 

Pássaro de mim mesmo

Veio vindo bem devagarinho

E se alojou em meu peito

Qual um passarinho

Como se fosse um ninho.

Eis que dois ovinhos

E depois dois filhotinhos.

Bicavam bicos de mamadeira.

Caminhos e passos

Que iam e vinham

Pra cá e pra lá.

Iam mitigando a fome

Daqueles bicarros sem nome

Boquiabertos na intenção,

Espertos na atenção.

Após algum tempo,

Seguindo milenar exemplo,

Esse serezinhos esvoaçantes

Ganharam o mundo

E abandonaram meu ninho.

Fiquei tal qual passarinho,

Sem ninho e bem devagarinho

Tranquei-me em mim bem fundo.

 

 

RITMO DOS CONTRÁRIOS

 

Nos clarões das tragédias

Virão por certo as catástrofes

E tão cedo poderá ocorrerá

Que teremos arrebatada surpresa

 

Tão igual será esse mistério

Que vozes se levantarão

E desse mesmo tamanho

A desigualdade se levantará

 

A história da humanidade

Ainda irá se estruturar

Para verter o pranto

Pelo que se fez no passado

 

Tão igual se esbravejará

Bilhões de vozes num só  momento

Serão ceifadas em cada lamento

Até o infausto cruel se equilibrar

 

Causal dos acontecimentos

Planeta em ritmo discordante

Levará tudo até o abismo

E sem retorno terá um reinício

Mais puro e menos sangrento.

 

 

TRANSMUTAÇÃO

 

Para onde foram os pecados

Da humanidade?

Em que gota de insanidade

Enseja essa procura?

Transmuta em sentimentos,

Todos os conflitos

Assim como todos os momentos

Que se esvai na plenitude

De almas descontentes.

Os cristais de arco-íris

E o pó das intempéries,

Solfejam estradivários.

Contemplamos nossa eternidade

Buscando a nosso próprio encontro .

Sóis congelam os sentidos

E cegam o nosso olhar

A! Matiz de sonoridades!

Meus pecados se expõem

Nas franjas da saciedade.

 

 

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