BALTAZAR MORAES DE ANTAS

Assinatura de Baltazar Moraes de Antas
Micaela de Albuquerque VIMIOSO *
Born: Vimioso, Bragança, Portugal
Casou-se com: Vasco Rodrigues de Moraes ANTAS *
Nuno NAVARRO *
Casou-se com: Izabel Mendes de ANTAS
Izabel Mendes de ANTAS
Casou-se com: Nuno NAVARRO *
Vasco Rodrigues de Moraes ANTAS *
Casou-se com: Micaela de Albuquerque VIMIOSO *
Inez Navarro de ANTAS *
Born: Portugal
Casou-se com: Pedro de MORAES * in Portugal
Pedro de MORAES *
Born: Portugal
Casou-se com: Inez Navarro de ANTAS * in Portugal
Died: 1575
História de Balthazar e sua Comprovação de Nobreza
Autor: Aníbal de Almeida Fernandes, 11º neto de Balthazar, Setembro, 2009.
Pesquisa de Regina Maria Moraes Junqueira
Balthazar de Moraes (de Antas), o Patriarca dos Moraes do Brasil, nasceu, cerca de 1537, em Mogadouro, na região de Bragança, Portugal. Era filho de Pedro de Moraes e Ignes Navarro de Antas. Pertencia às famílias Moraes e Antas, mas não era herdeiro do Morgado (pela lei Mental, que desde o séc. XV estabelece a forma de sucessão dos bens em Portugal, eles sujeitos a regras estritas de indivisibilidade, primogenitura e masculinidade e os bens se transmitem por sucessão, não por herança), e cabia sempre ao primogênito a posse do Morgado, porém o tal Morgado, nesse caso, na maior parte tinha já sido anexado à coroa portuguesa (há uma ação, movida pela família, para impugnar a tomada de Vimioso pela Coroa Portuguesa, sob a alegação de não existirem mais herdeiros).
Balthazar de Moraes teve uma irmã casada com o sargento-mor José Álvares Meirelles, cavaleiro fidalgo da casa de Dom Antonio e moradora no Mogadouro pelos anos de 1575.
Balthazar de Moraes era irmão também de Belchior de Moraes de Antas de quem faremos menção adiante.
Balthazar de Moraes era 10º neto de Afonso Henriques, (1109-1185), 1o Rei de Portugal, a 25/7/1139, fundador de Portugal numa linhagem contínua de 12 gerações em 428 anos (1109-1537), com 35,66 anos por geração e 12º neto de Afonso VI (1035-1109), 14o Rei de Leão e 3o Rei de Castela numa linhagem contínua de 14 gerações em 502 anos (1035-1537), com 35,84 anos por geração, (dentro da faixa padrão que vai de 25 a 35 anos por geração).
Balthazar de Moraes, chega ao Rio em 1556, depois em Santo André, casa-se com Brites Rodrigues Annes antes de 1561. Pedro Taques informa que, Brites Rodrigues Annes nasceu em Portugal e era filha de Johanne Annes Sobrinho c.c. Maria Gonçalves que, de Portugal, tinham vindo à capitania de São Vicente trazendo três filhas solteiras, entre elas Brites (alguns pesquisadores questionam essa procedência portuguesa da mãe da mulher de Balthazar e dessas 3 filhas).
Balthazar de Moraes em data ignorada se estabeleceu em São Paulo, onde teve fazenda no Ipiranga. Em 1572, Balthazar esteve num ajuntamento (= Reunião) em São Paulo. Em 1578 foi eleito Juiz Ordinário e a 30/1/1579, toma posse como Juiz Ordinário da Vila de São Paulo. No entanto, parece que, alguma suspeita quanto à sua progênie deve ter sido feita e Baltazar recorreu ao Capitão-Mór de São Vicente, que lhe garantiu a posse.
Balthazar de Moraes constrangido por tais suspeitas, abandona o posto e segue para Portugal a 19/4/1579 com o único objetivo de obter provas formais de que era cristão velho de conhecida e nobre linhagem, por considerar tal prova necessária para sua justiça e abonação de sua pessoa.
Chegando em Portugal, Balthazar inicia uma verdadeira peregrinação e a 11/9/1579 em Mogadouro, apresenta Petição para se fazer provas de sua filiação para isso Balthazar apresentou testemunhas que disseram ser ele irmão inteiro de Belchior de Moraes Dantas, filhos ambos de Pedro de Moraes e Inês Navarra Dantas.
Belchior de Moraes de Antas, (irmão de Balthazar) que então residia em Monxagate, já tinha tirado um instrumento de comprovação de nobreza que, por muito usado, foi trasladado em 1577 que comprova ser ele, por sua mãe, da Casa dos Dantas, que era dos legítimos Senhores de Vimioso e, por seu pai ser da Casa dos Moraes, que não era de Vimioso, ambas famílias de nobreza antiga, sendo que tanto seu pai quanto ele próprio sempre se trataram pelas regras da nobreza.
Balthazar de Moraes com a comprovação de filiação e o instrumento de pureza de sangue obtido por ele em Mogadouro, vai a Monxagate, pedir uma transcrição do instrumento de comprovação de nobreza de seu irmão Belchior.
A seguir, cumpre uma série de reconhecimentos cartoriais, ainda entre Monxagate e Mogadouro. Isto feito Balthazar inicia sua volta ao Brasil, fazendo reconhecer os sinais em todas as vilas até o Porto, daí no Funchal e finalmente na Bahia.
Cronologia da Viagem de Baltazar
30/01/1579: Em São Paulo, toma posse como Juiz Ordinário.
19/04/1579: “É ido pêra o reino”
11/09/1579: Em Mogadouro, apresenta petição para se fazer provas de sua
paternidade e comprovação de pureza de sangue.
14/09/1579: Obtém a certidão em Mogadouro
14/11/1579: Reconhece o documento em Mogadouro
23/11/1579: Reconhece em Torre de Moncorvo
05/12/1579: Reconhece em Monxagate
10/12/1579: Reconhece em Mirandella
11/12/1579: Reconhece em Vila Pouca
15/12/1579: Reconhece a Certidão de reconhecimento dos sinais no Porto
16/06/1580: Reconhece em Funchal, Ilha da Madeira: Justificação dos
instrumentos
23/11/1580: finalmente obtém o reconhecimento dos sinais dos instrumentos de pureza de sangue e comprovação de nobreza por Cosme Rangel de Macedo, Ouvidor Geral de toda a costa do Brasil e São Vicente, provando que era Nobre e não era Cristão Novo, (documento registrado em Títulos 1530-1805, do Arquivo Heráldico e Genealógico, do Visconde Sanches de Baena). Alfredo Ellis Jr. informa que Balthasar de Moraes foi o único morador do Brasil a ter comprovação de nobreza de 1ª linha no séc. XVI.
Toda essa maratona é necessária porque na época, cada escrivão só podia reconhecer o sinal de outro escrivão por ele conhecido.
Não há certeza da chegada de Balthazar a São Vicente.
Pelo que consta em São Paulo, Balthazar, o Velho, nunca foi referido ou assinou o apelido Dantas. Mesmo em Portugal, assina e é referido sempre como Balthazar de Moraes.
Os documentos registrados pela 1ª vez na capitania de São Vicente, em 1600, a pedido de seu filho Pedro de Moraes foram duplicatas trasladadas daqueles obtidos por Balthazar em 1579, pedidos (de novo) em Mogadouro, em 1587, por Baltazar de Moraes Dantas, o moço, da Câmara de El Rei. Esses papéis estiveram em mãos de Francisco Velho de Moraes, neto de Balthazar, que os faz serem registrados no livro de Registro da Câmara da Vila de São Paulo em 1670 e por isto foi possível localizá-los e com eles reproduzir a filiação de Baltazar até os senhores de Vimioso.
Dos senhores de Vimioso até os Reis de Portugal e de Leão, a filiação consta de uma ação movida pela família para impugnar a tomada de Vimioso pela Coroa Portuguesa, sob a alegação de não existirem mais herdeiros. Depois de Afonso Henriques, até Carlos Magno e os visigodos, são linhagens reais e, portanto, bem conhecidas e estudadas nas genealogias dos reis da Europa.
1) Balthazar, o Patriarca, c.c. Brites, tiveram 4 filhos relacionados por Silva Leme, na Genealogia Paulistana de Silva Leme, Vol. VII, Título Moraes, (com algumas lacunas). Não se sabe a ordem cronológica dos filhos de Balthazar de Moraes. Não se sabe quem foi o primogênito. Em outubro de 1579, um Balthazar de Moraes esteve num ajuntamento em São Paulo e nessa data o Balthazar (pai) estava em Portugal. Portanto deve ser o filho Balthazar, já adulto, nascido cerca 1555/60. Esses mesmos 4 filhos foram declarados pelo Padre Manoel de Moraes, neto de Baltazar de Moraes e de Brites Rodrigues em seu processo de inquisição.
Abaixo relação dos 4 filhos de Balthazar de Moraes e de Brites Rodrigues:
2.1) Pedro de Moraes de Antas, c.c. Leonor Pedroso, com 7 filhos.
2.2) Balthazar de Moraes de Antas, o moço, c.c. Ignez Rodrigues, com 9 filhos.
2.3) Anna de Morais de Antas, casou primeiro com Pantaleão Pedroso, (irmão de Leonor Pedroso), com 2 filhos. Segunda vez, casou com Francisco Velho, português, com 5 filhos.
2.4) Izabel de Moraes, c.c. Luiz Fernandes, o velho, pais de 5 filhos vivos que seguem abaixo:
3.1) Anna de Moraes, em 1654 era viúva de Luís Fernandes Bueno, e faleceu em 1673, sem geração.
3.2) Francisca Fernandes de Moraes, c.c. Antonio Mendes de Mattos:
A descendência deste casal chega até minha filha Ana Tereza Del Grande Arantes de Almeida Fernandes, (*1977), 12ª neta de Balthazar de Moraes (*1537), numa linhagem de 14 gerações contínuas em 440 anos com 31,42 anos, em média, por geração, do Século XVI (1537) até o Século XX (1977);
3.3) Maria de Moraes em 1654 estava casada com Manoel Nunes de Sousa.
3.4) Manoel Fernandes de Moraes já falecido em 1654, casou em 1643 em S. Paulo com Antonia Gomes (que viúva, casou depois com Vicente de Góes), filha de Paulo da Costa e de Paschoal do Amaral. Pai de:
4-1 Paulo que faleceu no sertão sem geração
4-2 Valeriana, filha natural.
3.5) Heitor Fernandes faleceu solteiro.
E mais 3 filhos falecidos sem geração.
A Genealogia Paulistana de Silva Leme tem várias peculiaridades na informação de sobrenome, porém devemos lembrar que nos séc. XVI e XVII, só havia certidão de batismo e ninguém recebia apelido ou nome de família, sendo realmente bastante variada a seqüência dos sobrenomes como vemos nos 2 explos abaixo da Genealogia Paulistana:
Vol. III, Título Penteados:
Manoel Corrêa Penteado, natural de S. Paulo, que foi morador em Araçariguama, adquiriu riqueza com a exploração de minas de ouro nas Minas Gerais, e foi proprietário de grande fazenda de cultura em Araçariguama termo de Parnaíba onde teve as rédeas do governo e foi pessoa de autoridade e veneração. Foi casado com Beatriz de Barros f.ª do capitão Pedro Vaz de Barros e de Maria Leite de Mesquita. Tit. Pedrosos Barros. Faleceu em 1745 e teve 7 filhos e todos os 7 filhos com 7 sobrenome diferentes: (C. O. de S. Paulo):
1º Padre José de Barros Penteado,
2º Capitão Fernão Paes de Barros,
3º Manoel Corrêa de Barros,
4º Anna Pires,
5º Maria Leite da Escada,
6º Maria Dias de Barros,
7º Luzia Leme Penteado.
Vol. VII, Título Moraes:
1º) Maria Moraes Leme Pedroso foi casada com Francisco Leme de Mattos f.º do capitão-mor Antonio da Costa Reis. Pg. 5
2º) Gertrudes de Moraes Leme Pedroso, foi casada com José de Siqueira Pinto, natural de Taubaté, f.º de Thomé Nunes Paes e de Violante Cardoso. Pg. 5.
3º) Anézia de Queiroz Ferreira foi casada com Cornélio O'Connor Ortiz de Camargo f.º do dr. Ricardo Gumbleton Daunt e de Anna Francelina de Camargo. Sem geração. Pg. 48.
4º) José da Costa Carassa, f.º de 5-2 retro, chamava-se José de Moraes Pinto quando casou-se em 1774 na vila supra com Anna Maria f.ª de José Pires de Avila e de Catharina das Neves. Tit. Pires de Ávila. Pg. 100.
5º) Manoel de Souza Brito, natural e morador de Mogi das Cruzes, onde casou-se em 1745 com Hilária Nunes de Oliveira f.ª de Pedro Nunes de Oliveira e de Maria da Fonseca Pinto (ou Maria das Neves que é a mesma). Faleceu Hilária Nunes em 1799 nessa vila e teve (C. O. de Mogi das Cruzes). Pg. 105.
6º) Ignez Fragoso de Mattos, f.ª de Ignez Correa de Lemos n.º 2-1, foi moradora em Mogi das Cruzes onde foi casada com Francisco Jorge de Godoy f.º de (?cremos?) Balthasar de Godoy e 2ª mulher Maria Jorge. V. 6.º pág. 46. Faleceu Ignez Fragoso em 1719 em Mogi das Cruzes e teve 7 f.ºs. Pg. 125.
7º) Ignez Correa de Lemos, falecida em 1761 em Mogi das Cruzes, foi 1º casada com Antonio de Brito Pereira; 2ª vez em 1741, com Antonio Correa Pinto, viúvo de Maria Pinheiro, f.º de Francisco Martins de Gouvêa e de Anna Pedroso de Alvarenga. Sem geração deste 2º, porém teve do 1º marido a f.ª única: Anna das Neves Pereira. Pg 125.
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