B
Berço de Estrelas
AMBOS
Envolta em sedas, sedava.
Tal mulher sedava os sentidos
E na quietude das noites,
Nas sedas se envolvia e se dava:
Paraíso ambulante de luxúria
O prazer arfava o peito
E não tinha jeito. Sedava,
Qual inebriante virtuose.
Escarnecia dos homens
E se deleitava e se embalava,
Vitimada pelos desejos.
Não desperdiçava seus beijos,
Consumia-os em pecados virtuais.
E o ser macho fecundo
Era apenas um jamais.
Sedava a si própria, sem prostituir-se.
Caminhava solta, esbelta.
E na névoa de seus perfumes
Era solitária unilateral
E das sedas, todas sedas,
Que se dava, sedava todas
E se morria de ciúmes.
Tal mulher era fecunda,
E sedava, e sedava...
Era partenogeneticamente
Assexuada e bilateral.
Era a primitiva mãe dos tempos.
Era para todos os momentos,
Apenas bi direcionados
Hermafroditas.
“TUM DE DUM”
E ele está vindo... E vai passando,
Qual mágico dos sentidos
Fantasiado em multicores
São desses blocos e algazarras
Que escorrem as alegorias.
“Tum de dum”, “Tum de dum”;
Ritmado tambores e cuícas
Pernoites de fantasias.
“Tum de dum”, “Tum de dum”;
E nesse passar de ir e vir,
Também nossos passos e alegrias
“Sambarilham” em êxtases feéricos,
Cantando nos pés as marchinhas
De inúmeros carnavais.
Antigos maxixes, samba de breque
Samba brejeiro, sincopado, samba canção
Samba de bossa, samba rural e urbano
Dançarinos de salamaleque.
Umbigada “negriforme”
Casta de origem afro
De negritude amulatada
“Tum de dum;” “Tum de dum”
La vai o bloco. Lá vai mais um;
“Tum de dum;” “Tum de dum”,
La vai o bloco. Lá vai mais um
Tum... de... Dum...
E lá se foi o bloco
Passistas cansados, pés doendo
Nada a lamentar,
Apenas entendendo
Que o próximo irá recomeçar
Final de trajeto,
Batuques ainda inquietos
Deixam doses de saudade,
E vão deixando ao longe
Inaudíveis sonoridades.
Como num de cortejo de sinais,
Ao longe vemos das marchas,
Dos sambas e dos batuques,
Os serpenteios terminais:
Os ruídos saem moles das caixas.
Tu de Dum, Tum de Dum!
Esse ritmo vai passando,
E junto também passamos.
Ah! Que saudade de mais um
Tum de Dum, Tum de Dum!
RECOMEÇOS
Estou aqui, você está aí.
Estamos todos vivos
Para outro Ano Novo.
No ano que vem,
Nesse vai e vem,
Iremos brincar de novo.
Sempre alguém ficará de fora,
Alguém deixará saudade,
Alguém irá embora.
Mas a vida continua
E cantaremos o novo porvir:
Paz no mundo e muito amor
Porque algo está por vir.
Novos tempos estão à porta,
Com novos rumos.
É isso o que importa!
O planeta tomará seus prumos
A consciência estará aberta.
FELIZ ANO NOVO,
Para toda a humanidade!
Que os destinos se entrelacem
E a harmonia crie soluções,
Porque vencida toda maldade
Um novo ser emergirá da alma,
Onde a matéria perderá o valor,
Onde reinaremos em doce calma
A verdadeira canção do amor.
Passos das Emoções
As emoções são pétalas da alma,
Navegando por mares desconhecidos;
São pedaços de nós embevecidos,
Com rudeza e também com calma.
São das ondas do pensamento,
Ensaios e experiências do cotidiano;
São frágeis canções de desengano,
São lágrimas fluídas de mil momentos.
São ventos, ventanias e desencontros,
Às vezes em rebeldes insolvências,
Às vezes em plácidas indulgências.
Quero ter todas dessas plangências,
Sentindo em mim todos os confrontos,
E todos os passos em espaços prontos.
ECO DE ESPERA
Na dúvida, divida.
Na vida, viva.
Na dívida devida,
Divida a dívida.
Divida a vida
E duvide da dívida.
Quem dos primeiros
Há de ser o último?
Quem não teme pelo oposto?
E quem pela mesmice
Caminha em círculos?
Quem nem nunca
E também nem sempre,
Acertou na mira do relógio
O próprio tempo?
É o eco que espera,
Por isso repita-se e caminhe.
E continue na trilha...
Na vida, duvide.
E na dúvida, divida.
Confia na dúvida
E no sempre da vida.
Mate o nunca na dúvida.
Divida a vida sempre,
Porque o tempo é nunca
E o alvo é o momento!
Deste lado do reflexo,
Está o retorno da ida,
Esperando outra vida,
Por outra vida esperando.
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